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De volta ao Brasil e à política da cidade

30 setembro 2016 - 12h00
De volta ao Brasil e à política da cidade

carminePassado o momento mais trágico, vivido pelas populações do Centro da Itália e tendo organizado o meu tempo, para prestar assistência religiosa, por algumas semanas aos terremotados, estou prestes a voltar ao Brasil. Sei que vou ao encontro de um quadro político municipal, que terá eleitos, novos prefeitos e novos vereadores. A campanha eleitoral conduzida de maneira digna e correta, com respeito às regras de jogo, permitiu aos eleitores conhecer melhor a conduta moral, social e política dos candidatos. Entre 16 de agosto e 1º de outubro, a democracia viveu um período bastante importante no País. Foram realizadas as campanhas eleitorais, que aconteceram apenas 45 dias antes das eleições. Os 90 dias que foram disponíveis em 2012, foram reduzidos para 45 em 2016. Além disso, o período de veiculação de propagandas em TVs e rádios, também foi reduzido, caindo de 45 para 35 dias. Não pude acompanhar a campanha eleitoral de Suzano, por me encontrar na Itália nos meses de agosto e setembro, deparando-me com a triste realidade do terremoto. Estou esperançoso, que aqueles que contavam com a minha ajudinha, cheguem a ocupar o cargo ambicionado no Executivo ou no Legislativo. A campanha eleitoral nas ruas se estenderá até as 22 horas de 1º de outubro (sábado), véspera do primeiro turno, que ocorrerá no dia 2 (domingo). Nos municípios onde a eleição for decidida no segundo turno, a campanha irá até 29 de outubro, um dia antes da votação, que será no dia 30 (domingo). Durante o período eleitoral a Igreja assume um papel importante, promovendo debates entre os candidatos com o foco voltado sobretudo para as realidades locais: serviços públicos, filas em postos de saúde, falta de remédios, manutenção de calçamentos de ruas e avenidas, esburacadas. Sobretudo, insiste muito na “moralização da política”, que vem ganhando destaque após protestos populares e a divulgação de investigações de combate à corrupção, como a Lava Jato. Quanto mais se bate na questão de ética na política, fim da corrupção, honestidade, tende-se a deixar de lado os grandes projetos. A população precisa de uma política mais honesta e transparente com soluções viáveis para a saúde e a segurança. Muitos dos candidatos tem seu nome na lista, porém, antes deveriam estar envolvidos em projetos não apenas colocados no papel ou em discursos feitos nos palanques, mas trabalhados no cotidiano com a comunidade e com pequenas iniciativas em beneficio dos anciãos, das crianças, dos jovens e dos mais necessitados. Quem gastou muita sola do sapato, não apenas durante o curto tempo da campanha eleitoral, mas ao longo de um fatigoso caminho de luta e de conquistas, realizadas com denuncismo e com resultados favoráveis à população, conseguirá o voto do eleitor. A campanha deste ano foi curta, tensa e a que teve menos recursos, dos últimos 20 anos. Os candidatos caminharam muito, falaram muito, durante um tempo muito reduzido. Por isso, foi importante a estratégia para saber onde falar, o que falar e mostrar, daquilo que foi feito pelos antigos administradores e vereadores. E também, o que fizeram aqueles que ambicionam ser eleitos, engajando-se nas pequenas lutas em favor dos moradores. Aos padres não cabe assumir tarefas e cargos políticos, ou filiação a um ou outro partido, mas favorecer o discernimento dos eleitores a respeito dos candidatos, iluminar as consciências dos cidadãos, para que escolham candidatos que promovam os valores sociais, morais e cristãos. A encíclica Deus Caritas est, retomada no Documento de Aparecida, exorta os cristãos leigos/as a assumir compromisso na política, também partidária. A respeito dos Padres filiados a um partido e envolvidos na campanha eleitoral, por causa da proibição no Código do Direito Canônico, obviamente não existe bispo que autoriza um padre ser candidato ao cargo de prefeito, deputado ou vereador.