Montado em um boi, um monge entrou em um vilarejo onde os habitantes lhe perguntaram onde estava indo. Ele então respondeu que estava em busca de um boi. As pessoas se entreolharam intrigadas e começaram a rir. O monge se foi. No dia seguinte, de novo montando um boi, o monge voltou ao vilarejo. E de novo, as pessoas lhe perguntaram o que buscava: "Procuro um boi", foi novamente a resposta. Outra vez o monge se foi em meio ao riso de todos. No terceiro dia o fato se repetiu: "o que busca?" e o monge, montado no boi, disse ser um boi o que buscava. Só que a piada já perdera a graça e as pessoas protestaram, dizendo: "Olhe aqui, você é um monge, supostamente uma pessoa santa, sábia, e mesmo assim vem aqui à procura de um boi quando, o tempo todo, é sobre um boi que está sentado." Ao que replicou o monge: "Também assim é a sua procura de Deus". Talvez o amigo leitor esteja caindo na mesma armadilha. Talvez não tenha percebido, mas é comum sairmos em busca de algo que está conosco o tempo todo, sem nos darmos conta. Achamos que nossa realização está em outro trabalho, outra profissão, outro parceiro, outros amigos... e chegamos, por vezes, a partir em uma busca inútil, quando, se olharmos com um pouco mais de atenção e inteligência para aquilo que já temos, descobriremos que o "boi", que tanto procuramos, está nos carregando todo o tempo. É preciso olhar para frente e traçar metas, mas sem perder noção do potencial de realização e felicidade que está bem na nossa frente. Será que seu relacionamento ou emprego está tão ruim assim? Tudo na vida tem um desgaste, isso é natural e compreensível. Será que o carinho e amor que você tem por alguém ou pelo oficio que realiza não está encoberto pela poeira deixada pelo tempo. Talvez, se passar um pano, o brilho voltará, assim como a prata esquecida em cima da penteadeira.