Os mais antigos lembram com saudade sua infância mais tranquila, não tínhamos nenhum brinquedo tecnológico, o mais moderno era uma boneca que balbuciava algumas palavras ou um carrinho de fricção que corria alguns poucos metros após acionado.
Entretanto, esses brinquedos não eram os mais queridos, a alegria era poder brincar na rua com os colegas, ficar horas conversando , desenhando, fazendo comidinhas, pulando corda, queimada, a molecada ia para a rua com os bolsos cheios de figurinhas, de bolinhas de gude, de pião e, muitas vezes levávamos uma reserva de pão, sim só o pão, para enganar o estômago e não precisar voltar para casa antes do toque de recolher, que se anunciava com o final da tarde, sem que ninguém nos chamasse ou buscasse.
A ida para a escola era sempre uma festa, íamos encontrando nossos colegas pelo caminho, falávamos sobre tudo e já planejávamos o que iríamos fazer após as aulas, as conversas truncadas por conta do sinal, eram reatadas no intervalo, com a mesma ênfase.
Na escola o respeito para com os professores e funcionários era o mesmo que tínhamos para com nossos pais, qualquer reclamação que chegasse a nossos lares sobre nosso comportamento era motivo de duplo castigo... E era tudo normal, nem por isso nos sentíamos inferiorizados por conta disso.
Eram outros tempos e vivíamos de maneira muito diferente, além de nossos deveres escolares, tínhamos algumas obrigações dentro de nossas casas, nossas mães contavam com nosso auxílio, mesmo que fosse para pequenos afazeres... Éramos lépidos, pois, cumpridas as tarefas escolares e as do lar estávamos liberados para nosso lazer junto com os colegas na rua.
Sonhávamos com o progresso, apesar de não ter ideia de que iríamos desfrutar de tantas coisas maravilhosas que a tecnologia nos oferece...
O saudosismo não impede que essa geração que teve uma infância de muita conversa e brincadeira, que passou a adolescência flertando timidamente nos bailinhos de garagem, aprenda com prazer a manusear todas as invenções modernas, sejam celulares, máquinas fotográficas que captam imagens coloridas e que podemos descartar no mesmo momento aquela foto que não nos agradou... Ah! Lembramos sempre que as fotos que tirávamos em nossos passeios levavam dias para serem reveladas e tinham sempre um número limitado, além disso, se não focássemos a cena corretamente, iríamos ter o dissabor de ver fotos sem rosto ou outros defeitos sem maneira de recuperar o momento perdido.
Que não imaginem os mais novos, que quando nos reunimos e relembramos aquele tempo de nossa infância e juventude, estamos deixando de aproveitar tudo que temos hoje.
Aproveitamos as oportunidades e podemos usufruir de uma lembrança maravilhosa, de um passado que não volta, mas que deixou indelével em nossas memórias recordações de amizades duradouras e sinceras. Não tínhamos depressão, nem nos sentíamos abandonados... Alguns minutos de uma boa conversa sanava todos os problemas que nos cercavam.
Sem tanta tecnologia nós nos comunicávamos de maneira eficiente e estávamos sempre presentes na vida das pessoas que nos cercavam.