terça-feira 29 de setembro de 2026 Logo Rede DS Comunicação

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 34,90 por mês, no plano anual.

Ler Jornal Assine
Jornal Diário de Suzano
Envie seu vídeo (11) 4745-6900

As sagradas cinzas do corpo humano

04 novembro 2016 - 10h00
As sagradas cinzas do corpo humano

carmineNo Dia dos Finados estive no Cemitério de São Sebastião de Suzano, para receber em uma urna, as cinzas do corpo cremado de um meu amigo, para abençoá-las com o rito cristão do enterro e colocá-las no túmulo da família. O jovem tomado pelo câncer pediu a cremação antes de morrer. Ele foi buscar a luz, a vida, a liberdade numa outra dimensão e não se importou de voltar à terra numa pequena urna, ao invés do caixão. Escolheu a cremação. Evidentemente o que encaramos de frente e com imensa dor é a perda do ente querido e a fé na ressurreição. Estes dois aspectos acompanham o fim da nossa vida e se impõem, por serem mais próximos da realidade humana e religiosa. O desfecho do corpo pode acontecer de várias formas, com digna sepultura do corpo no caixão e a dissolução na terra, com a cremação, ou apodrecer num lugar desconhecido, onde a morte deixou o corpo inerte, sem condições de ser encontrado. A tradição com o sepultamento do corpo num caixão, foi a que mais se enraizou na cultura cristã do Ocidente. A escolha pela cremação é cada vez mais comum, mesmo entre os católicos. É um desenvolvimento surpreendente, que não contradiz a doutrina da Igreja a respeito da ressurreição dos corpos. De fato, Deus não precisa dos nossos pobres restos mortais, para o milagre da ressurreição. Dessa forma o tabu da cremação foi superado entre os católicos. A Igreja Católica recomenda que as cinzas colocadas numa urna, sejam levadas em procissão, da Capela do cemitério até o túmulo. Assim recordando, que somos um povo peregrino, chamado a entrar num novo céu e numa nova terra. Recomenda também, que haja uma digna sepultura das cinzas no cemitério, lugar dos mortos, num sacrário ou numa capela destinada a guardar todas as urnas com as cinzas dos falecidos. Não devem ser pulverizadas e dispersas no mar, indo e vindo irreversivelmente com as ondas e também que não sejam deixadas em casa, pois o lar é o lugar dos vivos e não dos mortos. O que deve transbordar no peito é a fé na ressurreição. Nós sepultamos ou cremamos os corpos e Deus os faz ressuscitar. Nós choramos e Deus os faz sorrir. Nós continuamos a viver no reinado amargo da terra, mas Deus os introduz no reinado divino do Céu. A morte lhes tira o respiro e Deus lhe devolve a vida. Sim, é por amor à vida que nós vivemos, lutamos, sofremos e morremos, sendo depois recolhidos nos braços do Pai Eterno. Nós beijamos o rosto de um morto ou uma urna com as cinzas e eles beijam o rosto glorioso e luminoso de Cristo. Vibrei ao fazer pela primeira vez o rito cristão e depositar a urna com as cinzas do meu amigo Thiago. Antes de ser levado ao crematório, o velório aconteceu na Capela Vaticano de Curitiba, perto do cemitério municipal. A cooperativa que administra o velório, construiu um prédio que oferece aos familiares do falecido, a sala mortuária, a sala para descansar com poltronas retráteis ou quarto com camas, a copa com serviço de restaurante e máquinas automáticas, banheiros exclusivos para os familiares e a capela onde o corpo é levado para o rito religioso. No prédio podem ser velados vários falecidos e acomodar todos os familiares. A Cooperativa Vaticano oferece ótimas acomodações, com luzes nas cores: verde, rosa e azul, que tornam o ambiente mais encantador. Se a realidade da morte é tão pesadamente cruel, lá pude sentir o céu divino invisível, mais perto do meu amigo Thiago.