No Dia dos Finados estive no Cemitério de São Sebastião de Suzano, para receber em uma urna, as cinzas do corpo cremado de um meu amigo, para abençoá-las com o rito cristão do enterro e colocá-las no túmulo da família. O jovem tomado pelo câncer pediu a cremação antes de morrer. Ele foi buscar a luz, a vida, a liberdade numa outra dimensão e não se importou de voltar à terra numa pequena urna, ao invés do caixão.
Escolheu a cremação. Evidentemente o que encaramos de frente e com imensa dor é a perda do ente querido e a fé na ressurreição. Estes dois aspectos acompanham o fim da nossa vida e se impõem, por serem mais próximos da realidade humana e religiosa. O desfecho do corpo pode acontecer de várias formas, com digna sepultura do corpo no caixão e a dissolução na terra, com a cremação, ou apodrecer num lugar desconhecido, onde a morte deixou o corpo inerte, sem condições de ser encontrado.
A tradição com o sepultamento do corpo num caixão, foi a que mais se enraizou na cultura cristã do Ocidente. A escolha pela cremação é cada vez mais comum, mesmo entre os católicos. É um desenvolvimento surpreendente, que não contradiz a doutrina da Igreja a respeito da ressurreição dos corpos. De fato, Deus não precisa dos nossos pobres restos mortais, para o milagre da ressurreição. Dessa forma o tabu da cremação foi superado entre os católicos. A Igreja Católica recomenda que as cinzas colocadas numa urna, sejam levadas em procissão, da Capela do cemitério até o túmulo. Assim recordando, que somos um povo peregrino, chamado a entrar num novo céu e numa nova terra.
Recomenda também, que haja uma digna sepultura das cinzas no cemitério, lugar dos mortos, num sacrário ou numa capela destinada a guardar todas as urnas com as cinzas dos falecidos. Não devem ser pulverizadas e dispersas no mar, indo e vindo irreversivelmente com as ondas e também que não sejam deixadas em casa, pois o lar é o lugar dos vivos e não dos mortos.
O que deve transbordar no peito é a fé na ressurreição. Nós sepultamos ou cremamos os corpos e Deus os faz ressuscitar. Nós choramos e Deus os faz sorrir. Nós continuamos a viver no reinado amargo da terra, mas Deus os introduz no reinado divino do Céu. A morte lhes tira o respiro e Deus lhe devolve a vida.
Sim, é por amor à vida que nós vivemos, lutamos, sofremos e morremos, sendo depois recolhidos nos braços do Pai Eterno. Nós beijamos o rosto de um morto ou uma urna com as cinzas e eles beijam o rosto glorioso e luminoso de Cristo.
Vibrei ao fazer pela primeira vez o rito cristão e depositar a urna com as cinzas do meu amigo Thiago. Antes de ser levado ao crematório, o velório aconteceu na Capela Vaticano de Curitiba, perto do cemitério municipal.
A cooperativa que administra o velório, construiu um prédio que oferece aos familiares do falecido, a sala mortuária, a sala para descansar com poltronas retráteis ou quarto com camas, a copa com serviço de restaurante e máquinas automáticas, banheiros exclusivos para os familiares e a capela onde o corpo é levado para o rito religioso.
No prédio podem ser velados vários falecidos e acomodar todos os familiares. A Cooperativa Vaticano oferece ótimas acomodações, com luzes nas cores: verde, rosa e azul, que tornam o ambiente mais encantador. Se a realidade da morte é tão pesadamente cruel, lá pude sentir o céu divino invisível, mais perto do meu amigo Thiago.