O buraco das eleições municipais se deu nas abstenções e nos votos nulos e brancos. Um buraco enorme em Suzano e também em todo o Brasil. Na cidade suzanense, foram 49.246 abstenções, 8.159 votos em branco e mais 15.348 votos nulos , perfazendo a elevada soma de 72.753 eleitores insatisfeitos.
Parece que uma onda de pessimismo e de crítica à política e aos políticos tomou conta do povo suzanense e brasileiro. Com razão. De fato temos políticos nem sempre politizados e uma pseudo política que não conhece os princípios e não contribui para o melhor desempenho da política. Há sim, em Suzano uma política de gabinete, de sala, de conchavos, de negócios, mas não há uma política social e popularizada.
Me pergunto se os candidatos eleitos, cantados em prosa e verso durante a campanha eleitoral, quando os carros circularam pelas ruas do centro e dos bairros, estarão vivendo agora um sonho realizado, ou pior, estão vivendo um pesadelo por lhes faltar uma solida e verdadeira alma política.
Há uma política instrumentalizada, manipulada em favor de determinados grupos ou pessoas e que dá espaço a jogos de poder.
A não valorização do voto por parte dos eleitores, evidentemente é uma forma de protesto contra a pseudo política, que não privilegia os interesses da população, mas os interesses alheios e privados.
A saraivada de críticas à politicagem, aponta os altos custos pagos aos eleitos, em nível nacional, estadual e municipal. E tem mais, trabalham com uma geopolítica clientelista ,que visa a transformar um determinado território em um reduto eleitoral. Suzano encontra-se em meio à crise econômica. Perde de Mogi na arrecadação, na saúde e na educação do povo. Mogi supera um bilhão de reais na arrecadação anual, enquanto Suzano não chega a 700 milhões, (valor publicado no Diário de Suzano). Uma quantia insuficiente, para dar vida aos investimentos programados pelas secretarias. O novo Prefeito iniciará o seu governo sem garantias financeiras para as obras e projetos essenciais, principalmente para um melhor funcionamento da Santa Casa e do prédio novo, anexo ao Hospital das Clínicas.
Paulo Tokuzumi não conseguiu concluir as obras iniciadas, devido ao estouro das contas públicas.
As eleições no país e em Suzano encontraram a resistência de muitos eleitores, não à política, mas à politicagem adotada por muitos políticos, cada vez mais distantes do nobre ideal político. Como consequência, há pouco retorno social e muito prejuízo financeiro à nação e aos municípios.
Os eleitores de Suzano, desconfiados e pessimistas, preferem aguardar o novo mandato de Rodrigo Ashiuchi, para ver se a nova administração continuará no vermelho ou conseguirá fechar as contas no azul, realizando as obras prometidas.
O legado deixado pelos eleitores coloca os políticos e os administradores municipais em alerta. A ação do povo vem indicando um novo rumo, uma nova rota e uma nova história para Suzano e para o Brasil .