A República moderna tem suas próprias características. E o Brasil tem suas maneiras de vivenciá-la.
A Constituição brasileira, em 1988, adquiriu seus jeitos de interpretar o sistema republicano nacional. Agregamos na Constituição muitos pontos contraditórios, sem dúvida.
Temos alguns aspectos monárquicos, como profissões com vitaliciedade. Temos características ditatoriais, como hipervalorização dos representantes legais. Como amplas maneiras de praticar o Liberalismo exacerbado, como custeio de famílias de presos, entre outros pontos.
O nosso Presidencialismo tem limitações como tem exageros favorecendo os Poderes Executivos, sejam municipais, estaduais e federal.
A Constituição da nossa Federação, com seus vários Estados e Municípios, com autonomias muito relativas, também garante aspectos tanto socializantes como capitalistas em sua formatação. São inumeráveis as possibilidades de Conselhos, sempre passíveis de algum controle das autoridades governantes, abrindo muitas decisões significativas de governança, como são amplas as possibilidades de audiências públicas, algumas com fortes poderes decisórios abertos as camadas populares. Todos esses embolados juntos no mesmo sistema governamental da nossa República. E as leis, que dependem dos dispositivos constitucionais, acabam encontrando contradições reais em tantas de suas aplicações.
Talvez não existam ainda sistemas governamentais perfeitos.
O ser humano é contraditório.
As culturais, por via de consequência, também são contraditórias em suas próprias formações.
Assim, o que poderia ser perfeito a um grupo, com toda certeza deixaria de ser para outros.
A nossa Constituição é absolutamente ampla.
E desde a sua publicação inicial sofre com a interferência de muitas emendas, alterando-a. E não podemos esquecer que muitos de seus ditames, espalhados por seus artigos, não podem ser realizados concretamente. Isso por uma simples razão, alguns artigos exigem regulamentação, que nunca foi feita. Portanto não existem em termos práticos. Algo como se a nossa Constituição fosse incompleta . Estranho?...
Enfim, meus caros leitores, temos a nossa República, também incompleta.
Ou misturada em várias quadraturas, vários ambientes, nem todos possíveis.
Quando nossa República foi estabelecida saíamos de uma Ditadura Militar.
Os nossos representantes tinham muitas linhas de pensamento.
E todas se estabeleceram em nossa Constituição. Cabe a nós também lembrarmos de exemplos, como da União Soviética, quando acabou, seus líderes, que defendiam o poder do povo, exibiram-se bilionários. Vimos algo semelhante? Pensemos em nossa República.