A música sempre foi importante para mim. Sei que é também importante para muito mais gente. A ideia me veio à mente quando um amigo músico me disse que o próximo dia 22 de novembro, terça-feira, é o Dia da Música. Fui buscar mais informações no Google, hoje o grande pai dos desinformados. Mas não consegui melhores dados. Mas a música, já tinha me chamado a atenção, mais uma vez. E me veio a lembrança de um poema longo do poeta francês Paul Verlaine, intitulado “Arte Poética”. Nem vou aqui reproduzi-lo. Mas, - permitam-me – a primeira e a última estrofe vale repassar aos meus leitores, sempre tão críticos e questionadores, ainda que sempre atentos, sensíveis e gentis.
No primeiro quarteto, temos algo assim, numa tradução livre: “Antes de qualquer coisa, música/ e, para isso, prefere o Ímpar/ mais vago e mais solúvel no ar,/ sem nada que pese ou que pouse”.//
Esse poema é como que uma aula de poesia, digo melhor: é como se pretendesse ensinar a escrever um poema, como se buscasse mesmo mostrar como deve ser o poema. Uns chamam de metalinguagem. Sempre foi um encanto para mim que o descobri há uns quarenta e tal anos.
Pois o poeta vai se estendendo sobre a escolha das palavras, que devem ser ambíguas. Eu diria também metafóricas.
E segue. Chegando ao final, Verlaine, como que ironiza sobre tudo o que disse. E nos lança, mais quatro versos especiais, como tudo o que fez: “Que teu verso seja bom acontecimento/ esparso no vento crispado da manhã/ que vai florindo a hortelã e o timo.../ E tudo o mais é só literatura”.
A rima, o ritmo, a métrica na poesia nos envolvem na sua sonoridade. E acabamos percebendo a música que se estendia por onde a nossa leitura do poema passou.
Alguns já me disseram que a música está no ritmo que se oferece no poema para cada um de nós. Ela só é despertada pela leitura do poema, ou pelo canto que ouvimos, ou sentimos.
Lembro de uma fala de Mario de Andrade dizendo que o “ritmo posso afirmá-lo, é uma das minha exigências interiores”. Há que se pensar em movimento, em cadência. Talvez sejam os pontos que caracterizam o verso. Maiakovski disse que o “ritmo é a força e a energia básica do verso”. Ainda assim, sei de gente, conheço gente, até com bom nível de formação e informação, que não gosta de poesia. Algum trauma, quem sabe. Sei lá...
Poesia é música.
O leitor é que deve se colocar em disponibilidade para descobrir o que o verso oferece, ainda que seja ambiguamente.
Dedico esta crônica a uma sobrinha minha, Diana, professora, formada em Letras, sempre interessada em saber mais. Que os versos a sua frente sempre iluminem o caminho da sua escolha, querida.