Falar de desgraça não é fácil. Porém, vamos ser sinceros, ela está a nossa frente, ao nosso lado. Então, podemos fingir que ela não se exibe, que não a vemos. No entanto, todos sabemos que ela está por aí.
Se a gente usa uma palavra tem de saber o que ela significa.
Ora, “desgraça”, como está nos dicionários, expressa a “falta de graça” ou “falta de merecimento”. Então, é mesmo o “infortúnio, a tristeza”.
Tivemos o choque da morte daqueles mais de setenta atletas e jornalistas, destaques principais do acidente aéreo na Colômbia, até este momento não tão bem esclarecido. Muita tristeza, muito sofrimento.
Esse fato me impactou mesmo, como de resto a todo o mundo, literalmente. Todo um time de futebol fundamentalmente perdido. Um time de destaque nacional e preparando-se para tornar-se de renome internacional, ainda que de origem em cidade do interior de Santa Catarina.
Um futuro de brilhos ceifado, arrancado daqueles jovens, arrancado de todos nós, brasileiros, nós, seres humanos. E ainda mais do esporte amado pelos brasileiros, futebol.
Causou-me forte emoção. Imagino como é para os parentes e amigos, para o povo de Chapecó, que lindamente representavam.
Choque contra o solo. Falta de combustível, a energia dos passageiros não era suficiente. Imensa desgraça!
Mas penso em mais coisas. Penso na legislação que nossos representantes estão tentando elaborar para lançar em nossas caras, de modo a não serem mais punidos por ilegalidades e crimes que tenham cometido ou possam vir a cometer. Chocante!
Isso incomoda muito a quem respeita a Democracia. Num país como o nosso o destrato, o desrespeito, o desmando são causadores de um impacto monumental quando se exibe vergonhosamente triste por não servir a grande massa de gente deste País, mas apenas a uns poucos privilegiados que se “autoprotegem” de presentes ou futuras condenações por ofensas à honra nacional.
O Projeto de Lei inicial, contra corrupção, elaborado pelo Ministério Público, teve o apoio de dois milhões e meio de assinaturas. Mas o plenário da Câmara, na madrugada, deformou praticante todo o pro jeto original. Isso é Democracia? Ou desrespeito?
Agora, enquanto escrevia esta crônica, vi na televisão a tentativa da Presidência do Senado buscando fazer votar em “urgência” o texto aprovado na Câmara na madrugada. Uma tristeza! Dói bastante! Será que teremos como reverter tamanha desgraça?
O plenário do Senado acaba de rejeitar o caráter de urgência por 44 votos a 14, com 1 abstenção. Mas será “logo” apreciado pelo plenário do Senado. Podendo ser aprovado também por manobras.
Que desgraça se a Democracia também pode ser aviltada. A gente de nosso País terá de aprender a escolher seus representantes ou apenas votará, porque é obrigada, em quem lhe oferecer mais? Mesmo que seja falsidade?
Ou devemos cobrar a retidão ética, ao menos, em homenagem aos mortos em Medelin?