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A lupa do medo e da ansiedade que nos faz travar diante de um grande amor

07 dezembro 2016 - 10h00
A lupa do medo e da ansiedade que  nos faz travar diante de um grande amor

Jorge LordelloEm agosto de 1918, um saveiro estava sendo puxado por um rebocador, no Rio Niágara/EUA, quando o cabo rebentou. As fortes correntezas logo o conduziram em direção às cataratas. Quando estava para cair, o barco encalhou em algumas rochas bem acima das quedas. Os dois homens que estavam a bordo foram salvos apenas no dia seguinte. Passaram uma noite de terror; a qualquer momento poderiam despencar para a morte. O fato narrado é verídico e aconteceu há quase noventa anos; a velha barcaça continua lá, no mesmo lugar, até hoje. Jamais aconteceu a queda prevista. Os dois homens se preocuparam por nada. A esperada queda do barco, que trouxe ansiedade e desespero aos dois homens, não aconteceu. Na verdade, a maioria dos problemas que tiram nossa paz e alegria, não nos atingirão. A preocupação é como um barco encalhado nas pedras. Ela nunca leva a lugar algum! Em virtude desse sentimento, muita gente deixa de viver plenamente, de colocar em prática planos que gostaria de realizar e, principalmente, abre mão de uma parcela da felicidade a que tem direito. Mas por que isso acontece? Qual é o fator que determina essa paralisia? Geralmente, é o medo, mas não falo do medo real e sim do medo irreal, que distorce a realidade. Funciona como uma lupa que provoca aumento absurdo e instantâneo. Quanto mais a lente de aumento estiver próxima de você, maior fica o fantasma do medo. Imagine uma moça que prestes a subir no altar descobre infidelidade do noivo. Ela pode interiorizar trauma e passar a generalizar que nenhum homem é confiável. Após meses, ao conhecer outra pessoa, sentirá os reflexos do problema. Qualquer atraso ou o simples fato de não atender uma ligação de celular, se transformará na possibilidade de traição, na visão distorcida da moça. Portanto, se o leitor se identificou com o tema deste artigo, não fique parado, procure profissionais da área da psicologia para que o ajudem a levar a lente de aumento para bem longe de você; a uma distância que o medo não te impeça de viver plenamente.