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Ferreira Gullar

10 dezembro 2016 - 20h30
Ferreira Gullar

suami-cor_Causou-me forte impacto o falecimento, por pneumonia, do poeta Ferreira Gullar, nesse domingo. Ele estava internado para tratamento respiratório. Contava seus 86 anos de idade. Volto no tempo. "É o outrora agora, de que fala Fernando Pessoa", como ele disse, certa vez. Gullar impressionava pela sua aparente fragilidade. Era magrinho e aquela cabeleira longa e lisa dava a sensação de ser alguém de pouco vigor. Talvez pensemos num poeta como alguém frágil, de pouca força. Era só conversar com ele para mudar essa impressão. Ele era bem firme nos seus temas. Vigoroso! Eu o conheci, pessoalmente, acho que em 1980. Fui membro e depois dirigente da Associação dos Professores de Língua e Literatura - APLL, filiada a SBPC. E ele, convidado, compareceu a alguns de nossos Congressos, ou Encontros. Uma pessoa gentil, simples, sem qualquer arrogância que tanto se vê em gente que ganha algum destaque. Ele conversava com todos. Mas, se o ponto levava a um posicionamento, ele, com solidez, dizia o seu. Desde os anos de 1950 ele já era um poeta de destaque nacional. Acumulando que a família do meu pai era de São Luiz do Maranhão, como a origem do Gullar, fui saber mais sobre ele, bem cedo. Conheci primeiro sua poesia, já arrojada, diferenciada, em sua forma, construção, apresentação. Não era o jeito que me envolvia. Mas acatava sua expressiva maneira de construir. Ligava-se ao grupo dos neoconcretistas, depois, bem diferenciado dos concretistas (paulistas). Se quiserem saber mais, vejam o livro "Poesia Pois é Poesia", de Décio Pignatari (antologia de 1950/2000). E vejam do Gullar o livro "Toda Poesia" (antologia de 1950/1999). Na minha juventude universitária lembro que Gullar influenciou os Tropicalistas, especialmente Caetano Veloso. Mas lembro de sua influência anterior a isso, ele já tinha dirigido a Funarte, e partiu para o domínio dos estudantes. Era do Partidão, antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Creio que o hoje Ministro José Serra dirigia a UNE então, onde Gullar influenciou soberanamente. Nessa época já estava intimamente ligado a todas as Artes. Creio que também já fazia seus traços de pintura. Era um respeitado Crítico de Arte, bem firme em seus posicionamentos. E publica seus textos, suas novas poesias e suas crônicas, igualmente fortes. Como assume posições duras contra a gestão publica desregrada. Já tinha combat ido a ditadura militar, não aceitaria, nem aceitou qualquer outra. Criticou todas as formas de dominação. Nunca fui ao Rio de Janeiro para vê-lo como me convidou e eu me havia prometido. Aceitou entrar para a Academia Brasileira de Letras. Estará agora junto a outros imortais. Meus respeitos, Poeta Ferreira Gullar.