Pois é, gente, o calor que domina o nosso clima está a nos consumir neste início de ano. Bom, tudo isso é por feitos e fatos nossos na vida pelo planeta.
Mas não era desse calor que pretendo falar. Claro que sei, gente, que paulista não está acostumado com essa reviravolta térmica. Então sofremos muito, sem dúvida.
Pensei em como muitos de nós estão se conduzindo de modo a ajudar as outras pessoas que de algum modo precisem. Isso é calor humano, como se dizia antigamente. E quando cada um liberta esse tipo de calor não sofre mais com o clima. Bem ao contrário. Quem ajuda sabe bem disso. Sentimos até como se uma brisa leve nos soprasse.
Esta semana uma jovem empresária, conversando comigo, dizia da sua satisfação em poder ajudar os demais. Ela alegava lá seus motivos religiosos. Compreendia os gestos de sua postura como uma contribuição por suas crenças. Via a caridade como algo que a libertava. Perguntei-lhe se, de algum modo, sua condição sócio-econômica a incomodava quando a comparava, ou quando era confrontada, com as condições de outros com menos alcance. Disse-me que sentia como uma obrigação natural ajudar os demais. Entendo seu sentimento como seu argumento. Perguntava-me se mais gente entendia como eu. Ela mesmo tentou fechar minha boca questionadora. Ela disse não sentir vergonha do que tinha alcançado com seu trabalho. Mas isso a levava a entender que “devia” aju dar os demais, mais frágeis que ela mesma.
Sei de gente que assume tal contribuição também por razões filosóficas. Uma outra maneira de ler o mundo que vivemos. Comparava essa maneira de agir, ou de ser. E sabia de gente que ajudava os demais, mesmo sabendo que uns tantos se aproveitavam disso para deixar de fazer os seus próprios deveres.
Mas pensemos juntos, todos sabemos que os brasileiros, até por razões históricas de sua formação cultural, ama ser apoiado pelo poder público, pela ação estatizante. As estatísticas mais recentes confirmam esses fatos. Numa pesquisa recente (Pesquisa Social Brasileira) temos o demonstrativo de que quanto mais escolaridade e mais alcance econômico, menos se deseja que o Poder Governamental intervenha na nossa vida. Quanto menos o nosso salário, quanto menor nosso nível de estudo, mais desejamos que o Estado nos garanta tudo. Isso não é mera coincidência. Os políticos sabem bem disso.
O Poder Público não age por caridade. Nem os governantes. Mas talvez tenhamos de repensar a nossa cultura de tendenciosamente dependentes do Estado, enquanto Poder Público Governamental, seja na nossa relação com a área Municipal, Estadual ou Federal.
Ah, mas dirá você que me acompanha neste raciocínio, será que não pagamos demasiado impostos para, exatamente, continuarmos nessa dependência? E será que esses tantos impostos resultam? Ou será que temos muito para lavar do nosso jeito de ser brasileiro?