terça-feira 29 de setembro de 2026 Logo Rede DS Comunicação

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 34,90 por mês, no plano anual.

Ler Jornal Assine
Jornal Diário de Suzano
Envie seu vídeo (11) 4745-6900

Vício destruidor

24 janeiro 2017 - 10h00
Vício destruidor

Acabo de tirar o carro da garagem e estou saindo lentamente, a rua está completamente vazia, afinal só tem residências e a maioria das pessoas ou estão trabalhando fora ou estão ocupadas com seus afazeres dentro do lar. Um jovem alto, de longas pernas e esbelto, que lembra um jogador de vôlei ou basquete, desce com passos largos a rua, diminuo a velocidade, pois, não o conheço e a curiosidade fala mais alto. Sua pressa termina ao lado de uma árvore que fica na frente da residência de um vizinho, ali ele fica de costas para mim e percebo que está afoito, rapidamente entendo que a pressa era para consumir a droga que deve ter adquirido nalgum lugar ali próximo. Quando se vira para a rua novamente, já não tem o mesmo aspecto, seu olhar está perdido e aspira algo que parece entupir suas narinas. Continuo meu percurso e fico imaginando quanta coisa boa podia fazer parte da vida desse jovem que agora já se desvirtuou de tudo que seus pais um dia sonharam para ele. Não sei quem é, nem mesmo onde mora, aparentemente estava só de passagem naquela rua e, após aspirar sofregamente o pó maldito deixou de ser um jovem, sua fisionomia já se alterara e não há mais ali naquele corpo uma mente pensante e sim um corpo tal qual um zumbi, que caminha sem rumo e sem vida. Fui tomada por uma tristeza, pois, já várias vezes encontrei na minha calçada e nas ruas por onde caminho uns pininhos com tampa, no início ficava imaginando para que serviam, depois, ciente de sua utilidade infeliz, ficava a certeza de que alguém havia feito uso desse pó que consome sonhos e vidas. Quantas vidas se perdem por conta de vícios que começam do nada, só para fazer experiência ou para provar a capacidade de saber enfrentar as novidades, coisas tão comuns entre os jovens de todos os tempos. Ao longo de minha vida acabei convivendo com colegas e amigos de bancos escolares que se perderam nesses vícios que destroem antigamente a maconha e os remédios injetáveis que deixavam marcas roxas nos braços e pernas e que obrigavam o uso constante de mangas longas e agasalhos mesmo nos dias mais quentes para esconder dos pais mais desligados e dos colegas o vício pelo qual estavam sendo dominados. A evolução das drogas e o progresso caminharam juntos, as drogas aparentemente dominaram com maior facilidade esses jovens que frequentemente sofrem das dúvidas sobre a existência e sobre o futuro e sua evolução e facilidade foram grandemente aumentadas, afinal rendem muito dinheiro, enriquecem pessoas que vivem prazerosamente da alienação total de pessoas que se tornam fracas e dependentes, verdadeiros mortos vivos, que infelizmente são capazes de crimes atrozes por conta desse vício. É doloroso perceber que somos impotentes, que apesar da boa vontade de muitas pessoas, é imensamente difícil sermos ouvidos pelos viciados, que na maioria das vezes não querem ser ajudados, pois, ilusoriamente vivem no paraíso momentâneo quando fazem uso desses lixos. Ainda bem que a esperança é sempre presente e muitos continuam esse embate, oxalá um dia saiam vencedores.

Leia Também