O médico sanitarista Oswaldo Cruz nasceu em São Luiz do Paraitinga, em 5 de agosto de 1872; tornou-se diretor-geral de Saúde Pública do Brasil em 1903; foi nomeado prefeito de Petrópolis em 1916; e morreu em 11 de fevereiro de 1917.
Oswaldo Cruz ficou conhecido por promover a imunização obrigatória da população, e pela reação social contra sua política de imunização, a chamada Revolta da Vacina. No livro "Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi", o historiador José Murilo de Carvalho discute ao longo do capítulo IV a Revolta da Vacina, tratando das obras públicas de reforma urbana e saneamento na cidade, assunto também tratado de forma literária por Aluísio Azevedo em "O Cortiço". O historiador trata, no referido capítulo, da luta liderada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz pela implantação da vacina obrigatória contra a varíola e da Revolta social ocorrida de forma fragmentada, reflexo da também fragmentada sociedade brasileira, desorganizada e incapaz de se organizar em termos de suas bandeiras e de suas lutas tanto classe quanto setorial.
Oswaldo Cruz foi, além de importante defensor da aplicação de vacinas para o combate da febre amarela e da varíola, um dos primeiros cientistas brasileiros a defender o investimento maciço em saneamento básico como estratégia para a promoção da saúde. Neste aspecto, Monteiro Lobato descreve e analisa de forma literária as relações entre a ausência de saneamento básico e a indolência do indivíduo parasitado.
O que provavelmente Oswaldo Cruz e Monteiro Lobato não sabiam é que, aproximadamente um século depois dos esforços do primeiro para a massificação do acesso ao saneamento básico, um grupo de cientistas iriam relacionar a ausência do referido saneamento com dificuldade de aprendizagem na juventude e vida adulta. Em 2010, os pesquisadores Christopher Eppig, Corey Fincher e Randy Thornhill publicaram o artigo "parasitas e a distribuição mundial de capacidade cognitiva". Segundo os autores, "existe uma distribuição mundial de capacidade cognitiva associada à variação na intensidade de doenças infecciosas. Considerando a necessidade energética do cérebro, os autores mostraram a dificuldade que o ser humano em formação (criança) tem em constituir seu cérebro e lutar contra doenças infecciosas, considerando que ambos os processos são muito dispendiosos em termos metabólicos". Assim, nada mais necessário que saneamento básico para favorecer tanto o processo de desenvolvimento cognitivo individual quanto o processo de desenvolvimento social e econômico de uma Nação.
Do ponto de vista metodológico, foram as expedições de Oswaldo Cruz para o interior, principalmente para regiões portuárias, que o fizeram tomar contato com as condições de vida da população e das cidades. Nesta medida, o médico e pesquisador mostra o quanto é importante mesclar atividades laboratoriais com um olhar atento à vida cotidiana.
Há 100 anos do nascimento de Oswaldo Cruz, o mais recente relatório do Ministério das Cidades indica que somente 40% do esgoto gerado no país é tratado. A luta por saneamento básico universal e irrestrito ainda é atual.