Um dentista bem sucedido e preocupado com o futuro profissional dos dois filhos, fazia de tudo para que eles se interessassem em seguir sua carreira e com o tempo assumissem o consultório.
O mais velho tinha forte inclinação para a área da computação e verdadeira ojeriza pelas ciências biológicas. O outro, com apenas 14 anos, não apresentava ainda interesse específico. Aos poucos, o genitor foi conduzindo o filho para o consultório.
Após se formar no ensino médio, pressionado pelo pai, acabou se matriculando em vestibular para odontologia e no ano seguinte começou na universidade, para orgulho do pai coruja. Pela manhã, o jovem permanecia no consultório da família e a tarde ia para a faculdade.
No segundo ano do curso, o rapaz procurou o pai e ofertou notícia bombástica:
"Sai da faculdade e me matriculei no cursinho novamente".
O genitor ficou irado:
"Mas por que você fez essa bobagem?"
A resposta foi simples:
"Nada me atrai na odontologia. Não sou vocacionado para essa área".
"Qual área pretende cursar, meu filho?"
"Quero ser filósofo"
O pai levantou da cadeira, e já impaciente, bradou:
"O que você tem na cabeça. Você não sabe de nada! Quer morrer de fome pirralho?"
O filho foi firme em sua resposta:
"Quero apenas ser feliz e realizado na área que acredito amar de paixão".
O dentista ficou atordoado e frustrado; já tinha projetado a vida profissional do garoto. A estratégia era perfeita e infalível. O filho iria estagiar sob sua supervisão, aprender a profissão com maestria e com o tempo assumiria o consultório.
O rapaz ouviu todas as considerações do pai e ao final levantou da cadeira e finalizou a conversa:
"Entenda que é o melhor para o senhor, mas não é o melhor para mim. Qual graça teria eu seguir os seus sonhos e objetivos e não os meus. Prefiro desapontar o senhor agora do que me desapontar para o resto da vida. Se vou amar filosofia, ainda não sei. O que sei, é que detesto odontologia".