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Damas do Jazz

25 fevereiro 2017 - 12h00
Damas do Jazz

Talvez alguns de vocês estranhem este meu tema de hoje, surgindo assim, em pleno Carnaval. Como se uma “música estrangeira”, como é vista por muitos, não devesse fazer parte da nossa memória no meio de uma festa também olhada como tão brasileira. Verdade, pode parecer. Claro que, só para comparar, lembro da Copa de Futebol durante a Ditadura Militar. Os que contestavam o sistema político de então, tiveram muita dificuldade para não torcer pelas vitórias brasileiras. Mesmo sabendo que o resultado produziria luz positiva sobre os ditadores. Carnaval não é coisa só de brasileiro. Tem festa pelo mundo inteiro. Em especial, só para lembrar, lá na terra-mãe do Jazz, a cidade de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos. E nem vou tratar aqui dos exibidos que vão trazer, neste Carnaval, suas caixas de som de música, dita “sertaneja”, e nos invadir, enfiando pelos tímpanos adentro. Sem ser exatamente sertaneja em qualquer de suas possíveis raízes... Mas, aqui, queria destacar três Damas, Sarah Vaughan, Billie Holiday e Ella Fitzgerald, três “Ladys of Jazz”. Certamente que sabemos que existem mais outras Senhoras Cantoras nessa área. Mas essas são Artistas da maior qualidade. A Sarah Vaughan sempre foi para mim uma instrumentista de sua voz, com uma capacidade monumental de poder. Há inúmeros exemplos em que disputa com instrumentos a sua potência. Estou lembrando de uma execução sua de “September Song”, fazendo uma parceria magistral com a flauta de Herbie Mann e o trompete de Clifford Brown. Billie Holiday era outra Diva! A sua voz podia ser com outras restrições de poder, mas como ela sabia bem usar, servir-se do que dispunha. Mágica! Como interprete ela criava um jeito todo seu de interpretar cada música. Sempre me seduziu o seu modo impactante de nos passar “Strange Fruit”, ao falar, como um “poema sujo”, daqueles corpos sem vida suspensos nas árvores pelo extremismo da Ku Klux Klan. Pois a Ella Fitzgerald, que estaria completando agora um século de vida, o que por si só já faz jus a muitas homenagens, foi bem longe. Gravou os maiores autores do standard americano. E como a Sra. Vaughan, tem gravações só de autores brasileiros. A Bossa Nova não pode ser esquecida. Tenho uma coleção dela com quase cinquenta CDs. Época por época com seus diversos autores. Destaco algumas diferentes gravações como de “Blue Skies”. Mas tentem retomar alguns de seus registros de “Sophisticated Lady”, grandes. O Samba, em tantas de suas formas, como a Bossa Nova, e outras expressões, estão em nós. O Jazz, como a Música Clássica, também chamada de Erudita, que não é exclusividade da burguesia, nem da aristocracia, precisa ser mais conhecida. É só uma questão de Educação. Aprende-se se nos for possibilitado. Vejam na internet.

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