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Ações individuais e coletivas para salvar a Humanidade

30 março 2017 - 12h00
Ações individuais e coletivas para salvar a Humanidade

Toda vez que vejo algo escrito sobre salvar o Planeta eu imagino que ou seja retórica ou erro crasso, porque o Planeta já foi extinto e recuperado algumas vezes. A Humanidade, por sua vez, é novidade no Planeta azul e pode ser dizimada por sua própria arrogância. Diante do risco iminente de extinção da humanidade e não necessariamente do Planeta pergunta-se: quais seriam supostas ações individuais para minimizar danos? O Boletim Missão Sem Fronteiras de março de 2016 apresentou quatro grupos de ação que compunham um cardápio para ações individuais: 1.    Dizer não ao Plástico. Neste sentido, deve-se usar um copo ou caneca permanente, seja de plástico, vidro ou qualquer outro material. A questão é não descartar o copo usado. Também propõe a substituição de garrafas de plástico e alerta que em 2050 os oceanos terão mais resíduos plásticos que peixes. 2.    Reduzir o consumo de carne. Segundo o boletim, o consumo excessivo de carne faz mal para a saúde humana e também para o meio ambiente. A criação de gado bovino representa 20% das emissões de gases de efeito estufa, principalmente por causa do gás metano liberado pelos animais; e é causa de aproximadamente 85% do desmatamento da floresta amazônica. O boletim não acrescenta que, segundo o jornalista Washington Novaes, para produzir um quilo de carne bovina são consumidos, ao longo de todo o ciclo de vida do boi, cerca de 15 mil litros de água. Dizer não ao consumo de carne é uma forma de denunciar o consumo exacerbado de água, a derrubada da floresta e do cerrado, as agressões contra as populações tradicionais da floresta e a concentração de terra. 3.    Repensar o transporte. Neste sentido, a proposta é combinar diversas atividades em uma única viagem. Nas cidades, os carros podem ser usados de forma mais parcimoniosa para reduzir o consumo de combustível fóssil e a "carona" pode ser uma alternativa, pelo menos, entre vizinhos. 4.    Reduzir o consumo de energia elétrica. A matriz energética do Brasil é renovável por que advém principalmente da geração hidrelétrica. No entanto, a construção das barragens tem custo social e ambiental muito altos, na medida em que muda o fluxo das águas, altera a reprodução dos peixes locais, submerge cidades e florestas. Para reduzir o consumo de energia elétrica é proposto evitar o uso de ar-condicionado, abrindo as janelas para iluminar os ambientes internos das residências e desligar aparelhos eletrônicos quando não estiverem em uso. Além dessas quatro proposições, há que se considerar: 1.    Separar o lixo. A separação do lixo em casa e a entrega do material reciclado em cooperativas de catadores bem como a compostagem caseira dos resíduos orgânicos são formas de aumentar a vida útil dos aterros sanitários. 2.    Economizar água. Além da economia indireta por meio da redução ou negação do consumo de carne bovina por exemplo há que se considerar a economia direta por meio da redução do tempo de banho, do uso da água da chuva para lavar pisos externos e carros, do uso pleno das máquinas de lavar roupa, dentre outras. Apesar das recomendações de mudanças de hábitos individuais na esteira da proposição de Gandhi se tornar-se a mudança que se deseja no mundo, deve-se considerar que apenas ações individuais e isoladas podem ter pouca eficácia. Assim, as mudanças individuais devem ser acompanhadas de ações coletivas que pressionem o poder público a regular de forma mais sustentável a vida em sociedade; e que boicotem os mercados insustentáveis. Se a mudança de comportamento individual não for acompanhada de lutas coletivas será como plantar uma árvore diante das retroescavadeiras que destroem as florestas. A luta será insatisfatória e talvez inglória.