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A quebra do romantismo

04 abril 2017 - 12h00
A quebra do romantismo

Costumamos ver casais de namorados em enlevadas juras de amor, passeiam de mãos dadas, trocam cúmplices sorrisos, olham na mesma direção e o mundo parece ficar bem mais bonito em todos os aspectos. Essa é uma situação rotineira entre jovens apaixonados e, isso pode começar logo no início da adolescência quando desponta o primeiro amor. Os desejos são semelhantes, os sonhos são para serem sonhados preferencialmente de mãos dadas e olho no olho... Não conseguem imaginar a vida sem a presença daquele ser que nada cobra, mas que merece todo o amor do mundo. Situações como essa normalmente leva esses jovens almejarem casar e serem felizes para sempre... E muitos até casam e buscam tornar realidade tudo aquilo que sonharam enquanto passeavam de mãos dadas pelas praças públicas, ou na mesa da praça de alimentação de algum shopping, onde é comum vê-los dividir com carinho o mesmo lanche, nos bancos do trem ou do metrô enquanto voltavam juntos do trabalho ou da faculdade... Seus olhos fixos no olhar do ser amado pareciam ter um brilho diferente, era como o encontro de duas estrelas de primeira grandeza. Esse enlevo do amor perdura por meses após o casamento, onde tudo ainda é novidade, onde aprendem a conviver com os hábitos do companheiro, que parecia ser tão semelhante aos seus e que sob o mesmo teto se mostra diferente... Mas o amor ainda fala mais alto e todos os defeitos são aceitos sem críticas ou demonstração de insatisfação. Esse amor agora parece mais forte, pois, foi acrescido pela rotina do contato físico no leito onde sonhos se materializam em doce realidade. Entretanto, algo muda com o casamento... Talvez a rotina, talvez a repetição de hábitos diferentes que acabam incomodando, a falta daquele diálogo sincero e franco dos tempos de namoro, onde tudo se resolvia com meia dúzia de palavras e uma profusão de beijos e abraços... Sim algo muda e passamos a ver nossa companhia como de fato é, com defeitos e qualidades, mas os defeitos parecem sobressair e se forem jovens demais, inexperientes demais, as críticas irão se tornar frequentes e a convivência menos feliz a cada dia que passa. O desejo de voltar para o lar vai minguando e, acabam arrumando de desculpas para encontros com os amigos após o trabalho ou a hora extra que se torna rotineira, a falta de pressa para tomar aquela condução da volta ou retornando por caminhos mais longos para se chegar mais tarde, evitando assim ter que conviver com aquela pessoa que antes era tão amada. Quando a juventude e seus ímpetos são mais fortes, as discussões passam a se tornar frequentes à mesa do café ou do jantar e a ida para o leito deixa de ser um encontro prazeroso, então o amor que não vive só de sonhos começa minguar... Se esses jovens forem cercados de familiares atenciosos, receberão apoio para aprender e entender as dificuldades da convivência sob o mesmo teto e perceber que amor precisa de compreensão para saber estender os braços no momento necessário, de paciência para superar as diferenças de criação de ambos, entendimento para aceitar opiniões diferentes e juntar tudo isso para continuar vivendo aquele mesmo amor que os uniu.

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