Nossos pais tinham uma grande preocupação com nosso futuro, acreditavam que somente o estudo poderia nos levar a progredir, diziam que já passara o tempo que vencíamos em qualquer profissão somente com o ensino básico.
E lá fomos nós para a faculdade e, com afinco e muita luta após alguns anos de bancos universitários obtínhamos nossos diplomas e saíamos em busca de melhores oportunidades de emprego ou nos atirávamos com fé e abríamos nosso próprio negócio ou nosso escritório e nos lançávamos no mercado, acreditando na nossa capacidade.
Durante muito tempo bastava somente o curso universitário para que alçássemos uma vida melhor, um bom emprego, uma condição de progresso que nos permitia até mesmo auxiliar nossos familiares com nossos ganhos.
Adquiríamos bens que nos permitiam conforto e comodidade.
Atualmente vemos a luta de nossos jovens que nem terminam o ensino médio e já estão sendo colocados em exames que testam seus conhecimentos e que permitem que consigam em termos assegurar sua vaga no ensino universitário, pois, o vestibular os espera após o nosso antigo colegial, da mesma forma que nos esperava também...
Entretanto, após findado o curso universitário, muitos ainda não vislumbram aquele emprego que pode dar a segurança que necessitam... Então se dedicam com afinco para novamente voltar aos estudos... E escolhe uma pós-graduação, um mestrado, para buscar o aperfeiçoamento, este sim que poderá dar condições de um emprego com mais estabilidade e talvez mais conforto para sua vida.
Quando vemos nossos filhos, sobrinhos, conhecidos, esses jovens tão cheios de energia alcançando a almejada colação de grau ficamos felizes, afinal é mais uma etapa vencida.
Dali para frente já podem arrumar uma colocação que mesmo com certo aperto poderá permitir que continuem seus estudos e, talvez os levem para um curso no exterior onde conhecerão outras culturas, outras pessoas e outras oportunidades.
Até mesmo a faculdade de medicina que já leva para longe de nós esses e por tantos anos jovens que ainda consideramos crianças, só termina com os anos de estudo de especialização, se o jovem médico não quiser passar o resto de sua vida nos plantões nos muitos hospitais, em horários que podem variar muito e até mesmo atingir um dia inteiro de trabalho e dedicação, para ganhar um salário que podemos considerar até mesmo razoável, só terá o conforto de seu consultório quando obtiver o seu merecido diploma de especialização em uma das muitas áreas da medicina.
Em tempos como os atuais que os empregos parecem ter desaparecido, fica mais difícil vislumbrar boas oportunidades para nossos jovens formandos, pois, muitos deles apesar dos vários cursos e até dos idiomas que falam encontram-se desempregados e buscam incansavelmente uma vaga, muitas vezes em campos diferentes daqueles em que se formaram, para que possam se manter com um mínimo de dignidade e que possam sair do abrigo do lar e alçar asas para dar vazão aos seus sonhos.
Ficamos numa torcida silenciosa para que a formatura não seja o derradeiro motivo de alegria, que de fato realizem o sonho que acalentaram durante tantos anos debruçados sobre os livros nos bancos escolares.