Amamos nossa Pátria e Mãe Gentil, as vezes gentil até demais, segundo tenho ouvido bastante ultimamente. E, mesmo agora, se cantamos o nosso Hino, vejo gente com a mão no peito e emocionada.
Como também vejo gente com raiva por todo lado, com vergonha mesmo, do que temos tido nessa lavagem toda por aí. Mas, me permitam, sem Educação forte e firme, sem professores preparados qualitativamente, sem salários dignos e dedicação exclusiva, sei que até 2018 essa raiva passa e a maioria vai escolher os mesmos de hoje.
Pelo menos é o que temos visto se repetir em nossa História. Mas, não vamos ainda perder a esperança.
Tenho visto bastante jovens, que deseja melhorar, até a si mesmo.
Tudo isso me veio, mais forte com a lembrança da comemoração do Dia do Hino Nacional, em 13 de Abril. Sabem por quê? Por que nesse dia, em 1831, o Imperador D. Pedro I, abandonava o Brasil, abdicava, voltando a Portugal, onde se tornaria o Rei D. Pedro IV. E nessa ocasião o hino foi cantado com um letra justamente que desacatava o Monarca. O hino vira sucesso popular com a letra contestadora ao Imperador que nos deixava.
O nosso Hino, sozinho já traz a nossa História, expressa-a.
Ele foi composto, como música em 1822, por Francisco Manuel da Silva (1795-1865), para banda, em comemoração da nossa Independência.
Era conhecido então como “Marcha Triunfal”. Depois, com a coroação de D. Pedro II, ele volta a ser tocado nos eventos oficiais, mas, claro, sem a letra de protesto. Com a Proclamação da República, tentaram criar um novo hino, mas não deu certo.
O povo não aceitou. Mudou-se a letra, passando a ter a atual, de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) e tornando-se Hino Nacional Brasileiro oficialmente, por legislação. Pelo que sei, não houve alteração da lei que obriga o seu toque e canto oficial. Mas não posso negar que depois do governo de Fernando Henrique Cardoso foram feitas apresenta&cc edil;ões “oficiais” com vários modos diferenciados. Lembro da Fafá de Belém cantando-o em andamento bem diverso.
Na Olimpíada, me parece, cantaram também com outro andamento. Enfim!... Hoje todas as escolas devem executá-lo pelo menos uma vez por semana.
É verdade, não esqueçamos, D. Pedro I criou o Hino Nacional Brasileiro inicial. Lindo, sem dúvida. Mas esse acabou virando o nosso Hino da Independência.
Nessa linha, estava relendo aquele discurso do Ruy Barbosa, no início do Século XX, no Senado Federal, em 1914.
Ele talvez estivesse pessimista. Relembro: “De tanto ver triunfar as nulidade; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
É, cem anos passam... Temos de esperar mais e melhor, adiante.