Vemos crianças abandonadas, falamos em adoção, mas escolhemos os mais novos para conviver conosco, então temos que exaltar a atitude de mães que aceitam e acolhem como filhos crianças que foram abandonadas por aquelas que os geraram, mas não se sentiram capazes de criar aquele ser indefeso, por motivos que desconhecemos ou mesmo que não vale a pena discorrer sobre eles.
São mães diferentes essas que adotam e tratam com amor as crianças que já conheceram a tristeza de serem abandonadas e de viverem em casas que as abrigam onde tudo é coletivo.
Nem sempre falamos de mulheres que assumem esse terno papel de mãe. Falamos também de homens capazes de amar profundamente, de se dedicar e tornar essas crianças já com alguma idade e entendimento, num ser melhor, que recebendo afeto, educação, cuidado e atenção, voltam a acreditar no ser humano.
Os lares atuais necessariamente não são compostos de seres heterossexuais e, apesar de enfrentarem muita dificuldade com a discriminação que persiste em se manter entre muitos de nós, é na maioria das vezes nesses lares que vemos muito mais amor e atenção com crianças que sofreram abandono, violência e passaram mais tempo na fila de adoção.
Os tempos mudaram e temos que aprender a conviver com essas diferenças, até porque quando entendemos, ampliamos nosso horizonte de entendimento e nos tornamos melhores como seres humanos.
Existem também lares que se desfizeram e que a guarda dos filhos ficou para o pai, por escolha ou por necessidade e, esses pais, também se desdobram para criar essas crianças, enfrentando as mesmas dificuldades de uma mãe. E nesse aprendizado, muitas vezes se superam...
Nos abrigos, funcionários cumprem a árdua tarefa de ser mãe de inúmeras crianças, alguns cumprem somente sua função profissional, outros se dedicam com tanto afinco, tanto esmero, que são lembrados carinhosamente mesmo passado muito tempo, pelas crianças que cresceram e não esquecem o amor tão espontâneo recebido de pessoas que também tinham outros compromissos e afazeres, mas quando estavam em seu local de trabalho, conseguiam transforma-lo num aconchegante lar, com palavras de carinho e atenção.
É lógico que jamais poderemos nos esquecer daquelas que nos deram a vida, permitindo que mudanças ocorressem em seu corpo, que viram surgir estrias, que sofreram com dores nas pernas, na coluna, que ficaram impedidas de trabalhar para poder manter dentro de si, em condições seguras para vir ao mundo, uma vidinha que sequer conheciam, mas que já amavam profundamente, que acariciavam ternamente em suas barrigas enquanto murmuravam palavras cheias de carinho e esperança.
Mães que abandonadas não se deixaram abater e solitárias cuidaram com desdobrado amor, filhos que não tiveram pai que os assumisse, por irresponsabilidade ou mesmo por desconhecimento.
Hoje o sentido da homenagem às mães tem que ser amplo, entretanto não pode ter menos atenção, menos amor, menos carinho... E se possível até presente.
E apesar de tanta diversidade, amar muito, estar presente, enquanto elas estiverem entre nós, para que saibam o quanto são importantes em nossas vidas...