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Tecnologias da Informação nas salas de aula

11 maio 2017 - 12h00
Tecnologias da Informação nas salas de aula

Todo profissional das área de educação e ensino reconhece que é fundamental que se faça uso da tecnologia nas escolas para o desenvolvimento da educação. No entanto, é preciso compreender que o emprego desse recurso em sala de aula não é uma tarefa trivial. Anos atrás, a panaceia era ampliar o uso de computadores em sala de aula. Em 2008, o Programa One Laptop Per Child (OLPC) foi aplicado no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Este Programa foi lançado mundialmente em 2006 e teve o envolvimento de várias corporações americanas, dentre as quais a Google. Tratou-se de um programa que, do ponto de vista tecnológico, buscava desenvolver um dispositivo de baixo custo (US$100 por unidade) a ser vendidos para governos que o distribuiria aos alunos das redes públicas de ensino. Até 2013 foram vendidos 2,1 milhões de computadores no Afeganistão, Brasil, EUA, Índia, Nepal, Nicarágua, Paraguai, Peru, Quênia, Ruanda, Serra Leoa, Uruguai. Se por um lado, amplia-se o acesso aos alunos das redes públicas de ensino aos computadores, por outro há uma série de considerações críticas a serem analisadas, dentre as quais: 1.    O determinismo tecnológico, ou seja, a crença de que o acesso à tecnologia traz em si um melhor desenvolvimento do processo educativo. 2.    O duplo sentido entre tecnologia, consumo e educação. Iniciativas da natureza do OLPC defende efetivamente a tecnologia para a educação ou seria a educação para o consumo da tecnologia. Nestes termos, trata-se de contribuir para a formação do cidadão ou do consumidor? 3.    O aumento de demanda por infraestrutura, tais como rede de transmissão de energia elétrica, estabilidade da corrente elétrica, banda larga de transmissão de informação, dentre outras. 4.    O impacto ambiental. Neste aspecto, vale conhecer o estudo de Jayo e Valente, chamado "Por uma TI (Tecnologia da Informação) mais verde". Segundo os autores, o uso das tecnologias de informação implica que a produção do equipamento a ser utilizado representa 25% de emissões de gases de efeito estufa e seu uso ao longo do tempo representa 75% das referidas emissões. Além disso, as tecnologias de informação representavam, em 2010, mais de 5% dos resíduos sólidos produzidos no mundo e cresciam a uma taxa três vezes superior ao crescimento dos outros resíduos. Finalmente, o descarte de produtos eletrônicos é altamente tóxica porque implica no descarte de alumínio, cádmio, cobre. 5.    A dimensão custo. Embora se propague a busca pelos US$100 por unidade de computadores por meio do Programa OLPC. Em 2008, o Uruguai havia pago US$199 pelo referido produto. No Brasil, a oferta foi de US$386 (O Estado de São Paulo). Assim, o que parece uma panaceia é na verdade uma caixa de problemas. Quando se observa que o custo de uma biblioteca pública é de US$5 por criança, fica ainda mais evidente que a crise econômica e a busca pelo fechamento de torneiras desnecessárias por onde escoa o dinheiro público pode nos obrigar a procurar soluções simples e disponíveis há muito tempo. Apesar de acreditar no uso das TI em sala de aula, entre a biblioteca e o OLPC ou qualquer forma individual de tecnologia da informação nas escolas, potencializar as bibliotecas ainda é uma solução pertinente e de baixo custo para o desenvolvimento da educação.

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