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Antonio Cândido Sempre Presente

13 maio 2017 - 12h00
Antonio Cândido Sempre Presente

Acabam de me dizer que o Professor Antonio Candido não estaria mais entre nós, falecido na madrugada dessa sexta-feira, 12 de maio de 2017. Não tenho essa convicção. Sei que ele sempre estará presente para todos os que o conheceram e que o admiravam e que o respeitavam. Como eu. Conheci as obras de Antonio Cândido, antes de conhece-lo pessoalmente. Ainda cursava o Ensino Médio, o então “Colegial Clássico”, que conduzia ao vestibular de Ciências Humanas, nos anos de 1960. Em 1968, cursava Direito na Católica (PUC-SP). E foi aí que me matriculei no Curso Livre de Sociologia, da USP. E lá assisti algumas aulas do Mestre Antonio Cândido. Era rigoroso, mas a nossa geração acatava, ninguém entrava na sala de aula depois dele. Assistíamos, ou melhor, ouvíamos, suas aulas, sentados no chão até no corredor. Letras, as vezes tinha aulas no prédio da rua Maria Antonia, outras nas salas das “colmeias”, já no Campus da USP. Fiz o Bacharelado em Letras- Estudos Ibéricos, na França, e estudei por seus livros, claro. Voltando ao Brasil participei da criação da Associação dos Professores de Língua e Literatura, APLL, dentro da SBPC. Com essa entidade fazíamos muitos encontros. Nos anos de 1980 convidamos o Mestre para participar. Sempre atendeu de modo especial. Alguns de seus textos de palestras publicamos na revista da APLL, a “Linha D’Água”. Sua fala sempre magnífica, atual até hoje em termos de ação educacional, de magistério consciente e que visa resultados positivos para os professores como para os alunos. Impactante. Um tanto depois, ainda nos anos de 1980, completei minha Licenciatura em Letras-Português na USP. Já lecionava em Faculdades e na Rede Estadual, e nunca deixei de reconhecer a importância da obra de Antonio Cândido. Alguns o veem como mais um dos “Interpretes do Brasil”, e seu trabalho leva a esse entendimento. Lá pelos anos de 1940 ele foi Professor-Assistente de Fernando de Azevedo, com Florestan Fernandes, ainda nas Ciências Sociais. Foi professor, por exemplo, nessa época de Fernando Henrique Cardoso, um dos nossos grandes na Sociologia. Logo depois é que se lançou na área de Letras, inaugurando a cadeira de Teoria da Literatura. Assim sua obra marcante, seria “Formação da Literatura Brasileira – momentos decisivos”, onde efetivamente interpreta como a Literatura abre o espaço para o entendimento de nosso País. É obra básica para quem deseja entender a construção da (nossa) Literatura Brasileira. É o alicerce da chamada Sociologia da Literatura. O meu exemplar, em dois volumes, é da 4ª edição, de 1971. Mas se ainda tem alguma dúvida, leia uma obra em sua homenagem, o “Dentro do Texto, Dentro da Vida – Ensaios sobre Antonio Cândido” (1992). Verá que esse exemplo de homem, foi um mestre de tantos outros que também aplaudimos. Sempre estará presente, dentro de nós. Nossos aplausos!

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