Assim como existe a poluição do solo causada pelo lançamento de resíduos sólidos e pela penetração dos agrotóxicos; há também a poluição das águas causada pelo lançamento de resíduos líquidos contaminados tanto pelas residências (esgoto doméstico) quanto pela indústria e pela agricultura (e aqui estão os agrotóxicos outra vez).
Não bastassem esses dois tipos de poluição, há também a poluição sonora. Nas matas e nas praias mais isoladas é possível ouvir os mais diversos sons de pássaros e insetos, assim como os trovões e a própria chuva que cai. Na cidade não há som. Há ruídos, zoeiras, ruídos, zunidos: motos com seus escapamentos abertos, auto falantes, o carro que anuncia a "pamonha de Piracicaba", a apito da fábrica, o "sinal do recreio" nas escolas, as sirenes de ambulâncias, bombeiros e policiais, além dos motores e buzinas de caminhões, ônibus e automóveis. No interior das salas de aula há um tipo de ruído diferente do ruído das ruas comerciais que por sua vez é diferente dos ruídos no interior das fábricas. Todo esse ruído soma-se aos ruídos imperceptíveis advindos das vibrações de aparelhos eletroeletrônicos como rádios e telefones celulares.
Finalmente, há a poluição do ar. Por um lado, há insuficiência do transporte público, coletivo, sobre trilhos (trens, veículos leves sobre trilhos, metrôs e bondes); por outro há aumento dos conjuntos habitacionais em áreas periféricas e nas cidades vizinhas dos grandes centros urbanos em decorrência de uma terra com preço mais baixo. O resultado é o deslocamento pendular diário casa-trabalho-casa por meio de transporte individual, privado movido à gasolina.
O uso do transporte individual privado, além de implicar em perda de tempo por causa dos congestionamentos, implica também em gasto excessivo de dinheiro por causa de combustível, pedágio, estacionamento, manutenção veicular, dentre outros. De quebra, implica no aumento da poluição do ar.
No Brasil, a média de material particulado no ar é de 150 microgramas por metro cúbico, três vezes maior que o máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estudo do Laboratório de Poluição da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) liderado pelo professor Paulo Saldiva estimou que 12 mil internações e 875 mortes ocorrem por ano por causa dos poluentes expelidos pelos meios de transporte no município de São Paulo.
Em 2016, aproximadamente 20 mil veículos foram multados pela emissão de fumaça preta pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de São Paulo.
O que fazer? Há uma série de iniciativas municipais e outras iniciativas potenciais para ações regionais por meio de iniciativas de consórcios intermunicipais que podem iniciar um processo tanto de redução da poluição do ar quanto introduzir o tema na agenda tanto dos governos quanto da sociedade, dentre os quais: Inspeção Veicular de Poluição, ruído e segurança; construção de Ciclovias e de estacionamentos para bicicletas próximos às estações de trem e terminais de ônibus; criação de calçadões, calçadas verdes e amigáveis.
Finalmente, dar o exemplo: se a autoridade local, o prefeito, além de construir uma agenda pública com o Conselho Municipal do Meio Ambiente, assinar um decreto obrigando que secretários e ocupantes de cargos em comissão desloquem-se para seus locais de trabalho pelo menos uma vez por semana sem carro próprio, ou seja, de ônibus, bicicleta, a pé ou mesmo de carona, pode ser um começo para combater a fumaça excessiva na cidade.