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Júlio César Kowalski quase Centenário

09 junho 2017 - 12h00
Júlio César Kowalski quase Centenário

O olhar do Sr. Júlio, por vezes parece se concentrar num horizonte distante, quase a querer mostrar que a sua vida vai longe, em outras vezes, parece concentrado quando alguém se aproxima dele, numa intimidade profunda, fraterna e familiar. É um verdadeiro “ Gentleman”, dotado de grande delicadeza de trato. Ele exala cavalheirismo, mesmo com as suas mais pequenas ações realizadas ao longo de sua vida, como operário numa tecelagem, mecânico, taxista com a sua Ford 29, borracheiro, barrista, caminhoneiro, proprietário de uma mercearia, vendedor de calçados, frentista de posto de gasolina e enfermeiro para tirar chapas radiográficas. Educado de forma certa pelos pais Juliano e Maria, ele é realmente cortês, o que nos dias de hoje é uma bem-vinda surpresa. O fato de ele nunca ter buzinado para provocar quem cometeu alguma falha ao volante e de nunca ter sido multado, mostra que ainda existem verdadeiros homens por ai. Hoje, quase centenário, completou 98 anos no dia 31 se maio, está entre os grandes pioneiros de Suzano. Chegou na cidade quando tinha poucos meses de vida. Casado com Dona Luci que faleceu há mais de 15 anos, partilhou com ela da cultura, por ser Dona Luci uma das professoras mais prestigiada de Suzano e sobretudo, partilhou o amor como marido e como pai de Júlio José e Joseli Rita. O filho é médico e a filha arquiteta. Ele é avô de cinco netos. Quase centenário, Júlio não perde o pique de caminhar com passo firme e decidido, com postura alta, ereta e bem equilibrada, conservando a mente bem lúcida, que lhe permite ir ao supermercado, fazer compras, conversar com as pessoas e ter uma vida de cidadão, socialmente ativo. Com certeza, o sr. Júlio, que se mantem bem humorado e homem de fé, sonha em chegar e superar os 100 anos, para fazer parte da lista dos poucos centenários que vivem em Suzano. A lista é encabeçada pela ultra centenária suzanense Dona Matilde Coelho que em agosto entrará nos 108 anos. A irmã de Júlio, Dona Ivone e o irmão Thadeu não tiveram a mesma longevidade. Se estivessem vivos, a irmã teria hoje mais de 105 anos e o irmão 101 anos. Júlio Kovalski , carregando quase cem anos de história suzanense, é hoje um dos únicos cidadãos, que tem mais autoridade para falar das história de Suzano com conhecimento de fatos e lucidez inigualável. É arquivo vivo do tempo passado, de uma história que ele guarda e conta, sem perder as coordenadas da sua conversa, estando ainda por dentro de tudo aquilo que acontece hoje na política, na Igreja católica, na rua, na arte, na saúde, no trânsito, no comércio e sobretudo no aumento do IPTU e dos preços dos mercados. O sr. Júlio vive em estado de graça, abençoado pela sua bela idade, pela gentileza e pela amizade. Cada vez que o encontro, não consigo deixar de me impressionar pela força humilde que irradia dos olhos desse homem, que aos 90 anos andava pelas ruas da cidade com uma agilidade motora, flexibilidade e força física, pedalando a sua antiga bicicleta. Hoje, cruzo o seu caminho de forma aleatória, mas quando morava na Rua Campos Salles perto da casa de Jorge Salvarani, vinha todas as noites na Igreja de São Sebastião, era mais fácil cumprimentá-lo na Igreja e visitá-lo na sua casa. Toda a Rua Campos Salles era a sua casa e não deixava de cumprimentar todos os dias as pessoas que trabalhavam no comércio que havia ao redor de sua residência, mostrando ser um verdadeiro gentleman.

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