O Teatro da Neura comemora o êxito das atividades desenvolvidas em 2016 e planeja estreia de novo espetáculo para o próximo ano. O grupo foca na peça “A Última Virgem - Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio", com direção de Antônio Nicodemo. A estreia está prevista para 3 de fevereiro, às 20 horas, no Espaço N de Arte e Cultura. O local é mantido pelo próprio grupo há dois anos. De acordo com o fundador do grupo, Antônio Nicodemo, este ano foi focado na criação e reestreia de espetáculos. "Circulamos a região e a capital com o espetáculo premiado pela Funarte (Fundação Nacional de Arte), 'A Menina da Cabeça da Bola'. É o nosso cartão de visita. Também conhecemos novos parceiros através das oficinas e formamos nove pessoas no primeiro módulo. Estreamos os espetáculos 'O Menino Gigante', 'Que a Terra há de Comer' e 'Fábrica de Chocolate'. Ainda tivemos o fortalecimento do projeto de leitura encenada, o 'Sexta Que lá Vem História', realizado toda última sexta-feira do mês". Além da estreia de “A Última Virgem - Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio”, o grupo também pretende manter a agenda e continuar com as oficinas. "A divulgação das oficinas está na internet e a inscrição acontece presencialmente no nosso espaço, a partir do dia 15 de janeiro. Teremos duas turmas, aos sábados. Durante a manhã será voltado aos iniciantes, para quem nunca teve contato com o teatro. Durante a tarde será o pessoal do segundo módulo, para quem já se formou no primeiro. Neste horário, teremos um aprofundamento no realismo fantástico, e também será aberto àqueles que já tiveram alguma experiência teatral", diz o fundador do grupo. As oficinas acontecem uma vez por semana e o valor mensal é de R$50. O Teatro da Neura segue três vertentes para pesquisa e aprofundamento. Que são o teatro político-sociedade, o realismo fantástico e Nelson Rodrigues e sua obra. O último será abordado na próxima estreia. “A Última Virgem- Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio” é baseada na obra “Os Sete Gatinhos”, de Nelson Rodrigues. "É um dos textos mais brasileiros e suburbanos do autor, apostamos muito nisso e nos identificamos bastante com Nelson. A peça se passa em um subúrbio carioca, dentro de uma quadra de escola de samba. Discutimos sobre a sexualização da mulher negra, a forma de consumir o carnaval pelos estrangeiros e pelos brasileiros. Falamos também de aborto e os conceitos do casamento, essa coisa de se manter virgem e servir ao masculino. É um texto irônico, bem humorado e ácido. Nesse processo, tivemos contato com a escola de samba X-9 Paulistana. A sobrevivência do teatro é muito próxima ao carnaval. Para o espetáculo, estamos preparando uma surpresa. Planejamos ter um bloco de carnaval de rua e uma roda de samba", finaliza Nicodemo.