A Virada Cultura Paulista em Mogi das Cruzes, em seu segundo e último dia, hoje, traz atrações para a população. Na programação de hoje estão apresentações de Ben Ludmer, às 15h30; Xaxado Novo, ás 17 horas, e Arnaldo Antunes, às 18h30. Todas no estacionamento do Ginásio Municipal Hugo Ramos. No Theatro Vasques haverá também apresentação de espetáculos como “Gigantes de Ar” do grupo Pia Fraus. Ao todo, a cidade conta com seis palcos. A programação completa está disponível no site da Cultura de Mogi. A primeira noite do evento cultural, ontem, contou com a apresentação da cantora baiana Daniela Mercury. Além de bandas locais de diversos gêneros musicais. Uma das atrações de hoje, o grupo de forró Xaxado Novo sobe ao palco para resgatar o tradicional do baião. Em entrevista, o grupo falou sobre a raiz nordestina, a formação e as apresentações do grupo. Como é propor um resgate da formação tradicional do baião e ainda relacioná-lo com diferentes culturas? Como também desenvolvemos uma linha de pesquisa na música cigana e oriental, através das bandas Orkestra Bandida e Yaqin Ensemble (Coletivo Tarab), foi fácil identificar diversos elos entre a música do oriente islâmico com a música nordestina. Hoje sabemos que diversos instrumentos, como a própria rabeca e a zabumba, têm origem no Oriente (rebab e davul), além de ritmos como o Halij, Cocek e Karachi, que lembram muito o baião e o xaxado, mas que não se encontram na música tradicional portuguesa, mas na música árabe e cigana. A ideia do nosso primeiro disco, “Sertão Cigano”, foi justamente explicitar essa influência e aproximar essas culturas tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes. De onde veio a ideia de inserir performances e intervenções nas apresentações? Além de músicos, o grupo conta com a experiência do cantor Davi Freitas como palhaço e animador em performances realizadas em diversos eventos, o que torna natural esse contato próximo e lúdico com as pessoas. As intervenções com pífanos e percussão no meio do público também ajudam a descontrair e a quebrar essa distância que existe, muitas vezes, entre os artistas no palco e a plateia. De onde veio o interesse pela música de raiz nordestina? O interesse e a pesquisa pela música regional brasileira, não só a nordestina de raiz, foi algo que uniu o grupo e, que aos poucos, foi se transformando em paixão. Realizamos viagens de imersão na cultura do sertão nordestino em cidades como Exú, Serra Talhada, Caruaru, Crato e Juazeiro do Norte, para conhecer mais a fundo não só os ritmos nordestinos, mas tudo que envolve essa musicalidade tão rica e encantadora. Cada membro do Xaxado tem uma formação distinta. Como surgiu essa união? Todos os integrantes tem formações diferentes, que vão do Turismo, Direito e Circo à Musicoterapia. A música foi o que nos uniu, pois todos já tinham seus projetos musicais e tocavam profissionalmente na noite paulistana. O grupo surgiu do interesse em trabalhar com a música nordestina e principalmente da amizade. Como é o processo de composição? Cada integrante tem seu próprio estilo e processo de composição e costuma ser uma prática mais individual. As músicas novas são apresentadas nos ensaios e os arranjos são criados coletivamente. Para compor o repertório autoral do CD “Sertão Cigano”, o grupo se inspirou nas obras dos grandes mestres da música brasileira de raiz, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro, além das influências que temos incorporado da música oriental.