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Jornal Diário de Suzano - 18/10/2020
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Adeus ao maestro de 88 anos Kunt Masur

22 DEZ 2015 - 07h00

"Não, não!" As palavras ecoam pelo auditório quase vazio, com força o suficiente para que os músicos deixem de tocar o melancólico Adágio para cordas, de Samuel Barber. Das primeiras fileiras da plateia, levanta-se um homem alto, barbas e cabelos brancos, feição sisuda. Aproxima-se do jovem regente, coloca as mãos sobre seu ombro. "Você não está ouvindo. Há uma razão para este clímax. E para a pausa que se segue. Você só está preocupado com o som. Ouça também o silêncio. E vai ficar claro o que você tem que fazer", diz Kurt Masur, um quase sorriso no rosto.

Pouco mais de uma hora depois, o ritual se repete. O ensaio da Sinfonia nº 1 de Mahler é interrompido. Masur volta ao palco. "Você já sofreu?", pergunta a outro aluno. "Você já sofreu? Já passou fome?" Um breve e interminável - silêncio. Eu jamais desejaria isso a você. Mas a imaginação do sofrimento é fundamental. Mahler está falando de desespero. Você precisa aceitar e entender esse desespero."

Compreensão, essência, significado, gesto, construção. Tensão, silêncio. Esses eram termos comuns nas aulas oferecidas pelo maestro alemão Kurt Masur como esta, realizada no Festival de Inverno de Campos do Jordão, em 2008. Eram momentos únicos e especiais, que, com a morte do maestro, aos 88 anos, passam a integrar o legado de um músico, que, considerado um dos últimos representantes da celebrada tradição musical germânica, entendia a arte da interpretação musical como um ente vivo, apontando sempre em direção ao novo.

Masur foi diretor da Komische Oper, de Berlim, da Filarmônica de Dresden e do Gewandhaus de Leipzig. Mais tarde, nos anos 1990, comandaria as filarmônicas de Nova York e de Londres e, em 2002, assumiria o posto de diretor musical e regente titular da Orquestra de Paris. Em Leipzig, no fim dos anos 1980, tornou-se símbolo de diálogo ao abrir as portas do teatro para encontros entre representantes do governo, do partido comunista, da política secreta alemã e de manifestantes pró-democracia. Semanas mais tarde, abrigou manifestantes dentro do teatro, evitando um confronto com a polícia, que se armava na praça em frente ao Gewandhaus. Sua atuação fez com que, no início dos anos 1990, ele fosse sondado para uma possível candidatura à presidência da Alemanha.

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