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Andréia Horta está à altura da heroína da novela ‘Liberdade, Liberdade’

12 ABR 2016 - 08h00

Mineira como sua nova personagem, Andréia Horta está feliz com o aplique que tem feito a cabeça de Joaquina - "nunca tive cabelos tão compridos", celebra a protagonista da nova novela das onze, “Liberdade Liberdade”. Filha de Tiradentes, figura mítica cuja herdeira mal deixou rastros para registros históricos, Joaquina é prato cheio para uma atriz que sabe se valer de técnica e intuição para ocupar as linhas criadas pelo autor. E o autor Mario Teixeira já avisa que a trajetória traçada por ele é ficção pura, até porque, diz, "seria muito pouco provável que a herdeira de Tiradentes fosse levada por um fidalgo para crescer na Corte".

Natural de Juiz de Fora, a atriz vestia figurino próprio, mas ostentava cabeleira de sua heroína. Joaquina surge na tela num momento em que o País carece de heróis na vida real. Não que ela espere preencher essa lacuna, ainda que ilusoriamente, mas mostra-se satisfeita em, quem sabe, provocar na plateia um interesse pelas causas daquela mocinha que questionar as liberdades do povo, a exploração e a corrupção vigentes no País. As bandeiras, infelizmente, chegam a ser muito atuais, embora o comando da época fosse ainda da Família Real portuguesa.

"Espero que (a novela) possa trazer alguma reflexão para as pessoas, muitas das nossas reivindicações já vêm daquela época. Ela fica indignada com o que vê quando chega de Portugal, não tolera a exploração, os maus tratos que testemunha com o povo, com escravos, enfim, ela traz as mesmas indignações que levaram o pai à forca", diz.

E ressalta o valor da palavra "justiça": "Ela tem uma interpretação muito pura, na essência mesmo, do que é ‘Justiça’, sabe? Não é um termo relativizado ou tratado dentro de determinado contexto, no entender dela. Tem um significado no seu estado puro, sem contaminação".

A salvação da menina Joaquina, vivida por Mel Maia, logo após a morte de Joaquim da Silva Xavier (Thiago Lacerda) será obra de Raposo (Dalton Vigh), amigo do condenado, que oculta a condição de herdeira do "traidor" da Coroa para criá-la em Portugal. Na volta, ela será chamada por Rosa, para driblar as perseguições ainda latentes em Vila Rica.

Andréia se esmerou em aulas de equitação, tiros e esgrima. "A minha arma é linda, tem um cabo de madeira, é superbonita", derrete-se. Mas, se achava que tiraria de letra o manuseio de tais objetos cênicos, não foi assim tão destemida que ela se viu na hora de colocar a mão no gatilho ou de empunhar espadas. Bateu uma fragilidade, admite. "Descobri que sou mais mulherzinha do que imaginava."

Durante nossa conversa, Andréia escorrega com elegância para um "bocadim" discreto de seu acento mineiro, som que será usado de forma mais que moderada em Liberdade Liberdade, até porque a musicalidade presente naqueles dias era bem mais lusa - o que será evidenciado pela presença do português Ricardo Pereira, o coronel Tolentino.

Para Andréia, o privilégio do ofício, sem igual em qualquer outra profissão, é dar de cara com os sotaques, valores e histórias de um Brasil da Família Real.

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