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Jornal Diário de Suzano - 02/12/2020
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Sec de Governo - Educação Kit de Atividades 02 - Dezembro

Aos 82 anos, cantor Serguei busca patrocinadores para realizar filmes

05 MAR 2016 - 08h00

Serguei está triste. O roqueiro com a voz rouca pouco audível, que acabou de romper "com um cara", e que está sofrendo de amor. Segundo seu produtor, André Kaveira, seus problemas vão muito além do revés sentimental. Aos 82 anos, o cantor está com a respiração comprometida por causa das infiltrações em sua residência, o museu casa Templo do Rock. Desde a década de1980, o cantor carioca vive em Saquarema, a 100 quilômetros do Rio, famosa pelas boas ondas para o surfe. A água acumulada nas paredes gerou mofo, inclusive em seu quarto, e a permanência nesse ambiente úmido está lhe fazendo muito mal aos pulmões.

"Estou bem, são só algumas bobagenzinhas (de saúde)", diz Serguei, que, na semana passada, ressurgiu no noticiário não por sua excentricidade, cultivada em cinco décadas de rock’n’roll, tampouco na esteira dos shows no País do ídolo Mick Jagger, mas por estar em dificuldades financeiras, que o impedem, até mesmo, de se alimentar adequadamente. "Convidei Mick Jagger para vir conhecer o Templo do Rock, mas ele preferiu ir à casa do Caetano (Veloso)", reclamou, citando a festa dada pela empresária do artista baiano, Paula Lavigne, para o líder dos Rolling Stones.

Ele ganha, brutos, R$ 880, de aposentadoria como músico autônomo, e mais R$ 1.200 de ajuda de custo da Prefeitura de Saquarema para o museu, que exibe fotografias, LPs, recortes de jornal sobre ele, pôsteres de bandas e até o par de tênis que ele usou em Woodstock, em 1969. Lá, recebe visitas de fãs e curiosos. "Serguei está pré-anêmico. Não tem dinheiro para comprar remédios e suplementos vitamínicos, que dão mais de R$ 1 mil. Sempre foi magro, mas com saúde. Não fuma, não bebe e não usa drogas, é um cara que sempre se preocupou com a saúde. Há dois anos, vi que não podia mais fazer shows. Se anda dez minutos, fica cansado", conta Kaveira.

Além de tocar uma minirreforma no Templo do Rock, o produtor está tentando viabilizar três projetos audiovisuais, que, acredita, têm potencial para dar alívio financeiro a Serguei: um documentário, Ficciodelia (ficção + psicodelia); um longa com sua história dramatizada, O último Beatnik; e um filme que trata da propagada obsessão por sexo - ele já declarou ter "alma de p. ." e que "sua epiderme borbulha erotismo".

Para o documentário, já foram gravados depoimentos de Erasmo Carlos, Rita Lee, Angela Ro Ro, Alcione e Evandro Mesquita. Para o segundo filme, está acordada a participação do ator Eriberto Leão, no papel de Serguei. Leão já viveu Jim Morrison, outra paixão do cantor, no teatro. "Reverencio a sua alma e o tesouro que você representa para o rock’n’roll mundial e brasileiro", declarou o ator ao aceitar o papel, em vídeo gravado por Kaveira e endereçado a Serguei.

Personagem do rock brasileiro desde a Jovem Guarda, com músicas como Eu sou psicodélico e Mamãe, não diga nada ao papai, nascido Sérgio Augusto Bustamante, ele nunca foi um sucesso comercial. Mas se manteve ícone de liberdade e extravagância, com participações no Rock in Rio em 1991, 2001, 2011 e 2013 e entrevistas hilárias na TV, em que narra sua aventura com Janis Joplin, por quem se apaixonou (e, conta, foi correspondido) em Copacabana em 1970.

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