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Jornal Diário de Suzano - 19/09/2020
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Ator Matheus Nachtergaele cria um monólogo com poesias de sua mãe

06 ABR 2016 - 08h00

Diante de um pergunta, Matheus Nachtergaele diz que é relativo afirmar que não conheceu sua mãe "Posso dizer que, enquanto éramos uma coisa só, eu estive com ela." Maria Cecília cometeu suicídio em 1968, quando o pequeno Matheus tinha apenas três meses. "Mas, se é verdade que um bebê ainda não desenvolve alteridade nesse período, ela não estava mais lá". A delicadeza com que o ator fala abertamente de sua progenitora teve seus primeiros passos nos poemas deixados por ela. Hoje, eles fazem parte de um bê-á-bá existencial de Nachtergaele, apresentado em Processo de Conscerto do Desejo, a partir da próxima quinta-feira no Sesc Pompeia. Entoados como canções, os textos de "mamãe" são colocados em concerto para consertar algo, em um duplo jogo com o título do trabalho.

De posse dos poemas e de lembranças contadas pela família, Nachtergaele conta que passou a vida construindo memórias para si. "Eu passei a ter uma fala da mamãe e a subjetividade de seus escritos." Os versos de Maria Cecília foram guardados quase secretamente. "Pensei que poderia chamar uma atriz para dirigi-la, mas percebi que precisava de um momento que eu mesmo pudesse dizê-los." Foi uma forma de experimentar a dor da perda, mostrando o que sua mãe tinha de melhor com o que ele sabe fazer de melhor. "Não tive oportunidade de fazer luto da mamãe. Eu chorei, mas foi porque perdi meu peito, meu colo, meu cheiro de mãe. É claro que o choro se espraiou pela vida toda e eu precisava resolver como artista."

No palco, o ator busca reunir elementos os quais acredita que constituam um bom teatro: simplicidade, a força da palavra e música ao vivo - no violão, Luã Belik, e, no violino, Henrique Rohrmann. As cordas vêm para homenagear um passado ainda mais anterior, seus pais se conheceram em uma roda de viola. O pai de Nachtergaele já integrou a Traditional Jazz Band.

A montagem recém-chegada do Festival de Curitiba estreou no ano passado em Ouro Preto, passou por Pernambuco e pelo Rio de Janeiro. Se, no início, o desafio do ator era contemplar um material tão sensível e pessoal, vez por outra, ele confessa que é capturado em sua emoção. "Não dá para evitar, mas, às vezes, a poesia também me morde."

Carreira

Matheus é originariamente um ator de teatro. Ganhou notoriedade por seu trabalho no início da década de 90 com a companhia Teatro da Vertigem, sob a direção de Antonio Araújo, e teve seu trabalho reconhecido por sua atuação no premiado espetáculo Livro de Jó.

Seu sucesso o levou à televisão (Rede Globo), onde estreou na minissérie “Hilda Furacão” como Cintura Fina. O sucesso na minissérie o levou a atuação como protagonista na também minissérie que se tornou telefilme “Auto da Compadecida”, baseado na obra de Ariano Suassuna, no papel de João Grilo. Atuação essa que lhe rendeu o Grande Prêmio do Cinema Nacional como Melhor Ator. Desde então, tem feito inúmeras participações no cinema nacional e, no ano de 2008 estreou como diretor sem nunca ter deixado de lado o teatro e a televisão.

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