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Cantora e compositora Céu investe em timbres mais doces e sintéticos

17 MAR 2016 - 08h00

A cantora Céu chega ao local da entrevista, na Vila Madalena, em São Paulo, com um visual cintilante. A voz doce, quase tímida, contrasta com a esfuziante blusa dourada. O figurino foi especialmente pensado para as sessões de fotos para a imprensa, ela comenta. Já acomodada à mesa, sua mente flutua entre o passado e o futuro, com passagens pelo presente. Tal e qual a sonoridade de seu ótimo novo disco, o 4º da carreira, Tropix, que entrará com exclusividade no Spotify na próxima sexta e será lançado oficialmente no próximo dia 25. Com ele, Céu inicia a nova turnê pela Europa, a partir do próximo dia 29, e, de volta ao Brasil, se apresentará em São Paulo, no Sesc Pompeia, de 28 a 30 de abril.

Antes de entrar no mérito do novo álbum, vale lembrar que os trabalhos de Céu sempre surpreendem, por um avanço rítmico aqui, uma inesperada imersão acolá, e por aí vai. Mas, neste, ela foi mais além. Com mais de dez anos de trajetória, a cantora e compositora paulistana, de 35 anos, trilhou sua estrada musical tendo como alicerces seus discos anteriores: CéU (2005), Vagarosa (2009) e Caravana Sereia Bloom (2012). Com o Caravana, ela rodou bastante o Brasil - onde procurou se focar mais para não ficar muito tempo longe da filha, Rosa Morena - e foi também para o exterior, durante três anos, até o final do ano passado.

Nesse ínterim, lançou ainda seu primeiro DVD, em 2014. E muitos consideram esse projeto ao vivo o fechamento de um ciclo iniciado justamente com os três primeiros discos. O raciocínio é coerente, já que a tríade foi feita de forma mais orgânica enquanto que, em Tropix, Céu se deixa seduzir pelos timbres mais sintéticos. "Engraçado, não vejo assim (o DVD fechando um ciclo), mas as pessoas veem. Não me incomoda", diz a cantora.

No fim das contas, o resultado sonoro de Tropix transita deliciosamente entre o retrô e o futurista. "Acho que a gente sempre pode tentar olhar para o futuro, criar um futuro na nossa cabeça, mas a gente sempre vai ter como nosso princípio o passado", pondera. "Eu queria beats, mas, junto com eles, resgatamos a tamba (instrumento de percussão criado por Hélcio Milito nos anos 1960). Acho divertido brincar com isso, um futuro que traz o que a gente viveu."

Como ela se enveredou por esse universo? Céu diz que estava numa fase de ouvir esses sons. Kraftwerk, Tame Impala, "umas coisas mais obscuras também". Nesse período, descobriu ainda a banda de pós-punk paulistana Fellini, de Cadão Volpato, formada nos anos 1980. "Sou da geração nascida em 1980, então, para mim, é natural estar revendo um pouco os 90, 80. Curto fazer as coisas de maneira um pouco lúdica também. As ideias existem, as músicas existem, as letras existem, mas acho que as roupagens, a estética podem ser leves. Eu estava com vontade de flertar com algumas coisas mais sintéticas, mesmo sendo desse jeito: brasileira, tropical, uma maquininha atrás dos trópicos. Enfim, era um desejo de entender os nossos mecanismos e nossas maquinárias, e isso tudo fecha um conceito para mim." Daí o título do disco, Tropix, numa espécie de união da tropicalidade brasileira com o vintage - e digital - pixel.

Céu vem acompanhada por um power trio, em que o teclado ocupa o lugar de importância normalmente atribuído à guitarra, com Pupillo, Lucas Martins e Hervé Salters.

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