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Jornal Diário de Suzano - 01/10/2020
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Cantora Marisa Monte mostra suas parcerias

30 ABR 2016 - 08h00

Marisa Monte gosta da música no formato físico. Seja em CD, vinil, quem sabe até fita cassete. Nos últimos três anos, enquanto ainda estava em turnê com seu mais recente disco de estúdio, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, de 2011, contudo, ela passou a mergulhar em seus arquivos analógicos para digitalizar toda a obra produzida em quase 30 anos de carreira - marca a ser completada em 2017. Em meio a esse processo de revisitação de catálogo, a artista foi constantemente arrebatada por histórias do passado, principalmente aquelas cujo registro nunca fora incluído em um álbum da sua carreira principal. Chegou a gravações como de “Alta Noite”, criada e cantada com a voz grave de Arnaldo Antunes, com quem ela se reencontrou inúmeras vezes durante a carreira.

A versão, gravada em fita de duas polegadas, saiu no disco do ex-Titãs, chamado “Nome”, de 1993, e havia sido produzida por João Donato. Era o começo da caminhada de ambos, que chegou ao seu auge comercial com Os Tribalistas, acompanhados ainda por Carlinhos Brown. Ao querer dividir com os fãs um momento como aquele, tão marcante e, ao mesmo tempo, tão esquecido pelo período pré-era digital da música, ela compreendeu uma forma de entregar o último disco que devia em contrato para a gravadora EMI (hoje absorvida pela major Universal Music).

No seu contrato firmado há 15 anos, a artista deveria lançar uma coletânea. Uma ideia que, até hoje, não lhe agradou muito. "Era para ser um best of", ela diz, em entrevista ao Estado, no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio. "E sempre evitei isso. Não queria que, depois de dois álbuns, já tivesse uma coletânea. Depois de tantos anos de carreira, talvez fizesse sentido. Em contrapartida, no mundo digital, as pessoas podem criar suas playlists e fazer um best of de acordo com o seu gosto. Se fosse para fazer algo com um sentido mais comercial, era só procurar as músicas mais baixadas. Me envolvi na ideia de criar uma curadoria, um olhar pessoal, com critérios subjetivos, e criar uma narrativa."

Assim, ergue-se Coleção, o novo trabalho de Marisa que chega às prateleiras (e aos indispensáveis serviços digitais). Não se trata de um best of ou uma coletânea de lados B. Coleção é uma colcha de retalhos, sem qualquer sentido pejorativo, da obra dela fora de sua discografia, cujo resultado complementa a artista que se conhece por meio dos discos de estúdio.

Estão ali canções como “Nu Com A Minha Música”, uma regravação da canção de Caetano Veloso criada ao lado de Rodrigo Amarante (do Los Hermanos) e o parceiro dele, Devendra Banhart, para o projeto Red Hot + Rio 2, lançado em 2011.

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