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Jornal Diário de Suzano - 27/11/2020
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Cauby Peixoto morre aos 85 anos. Corpo é enterrado em São Paulo

17 MAI 2016 - 08h00

O cantor Cauby Peixoto morreu, na noite no último domingo, aos 85 anos. A informação foi confirmada pelo produtor Thiago Marques e pelo historiador Rodrigo Faour. Posteriormente, o perfil do fã clube do cantor na rede social Facebook publicou uma despedida, sem detalhes sobre a causa da morte. Cauby Peixoto estava internado no hospital Sancta Maggiori, no bairro do Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo. O corpo do cantor foi enterrado ontem, no Cemitério de Congonhas, em São Paulo. Amigos e parentes cantaram 'Conceição' durante o sepultamento. O corpo foi velado na Assembleia Legislativa.

Cauby Peixoto era remanescente de uma era de ouro da canção brasileira. Era muito imitado, mas incomparável. Tinha saúde frágil, condição que foi se agravando nos últimos tempos: em 1997, já tinha sido internado com dores fortes, atribuídas a uma hérnia de disco; em 2000, ganhou 6 pontes de safena e, em um mês, estava cantando de novo.

Sua influência e sua lenda ficam como um carimbo de intensidade nas noites de São Paulo e Rio, onde reinou com mais frequência. "Adoro quando as fãs rasgam minha roupa, sinto-me o próprio Cauby Peixoto", afirmou o cantor Cazuza, em uma antiga entrevista. "As mulheres estavam alucinadas. Eu mesma fui espirrada para fora da rádio. Ele estava lindo", lembrou Elis Regina sobre a primeira vez que o viu.

O escritor Mario Prata recordou, em crônica na década de 1990, a especificidade de Cauby e sua alma gêmea, Ângela Maria. "Ângela e Cauby são de uma outra época Diferente. Muito diferente".

Em meados dos anos 50, Cauby Peixoto já era o cantor mais famoso do rádio brasileiro, ocupando o trono que pertencera a Orlando Silva - mas com um domínio moderno das novas táticas do show biz, utilizando truques de massificação da popularidade, como um grupo de fãs escoladas e bem treinadas na linha de frente dos seus shows para gritar, esgoelar-se e causar sensação. Cauby lançava mão de um ardil usado pelo seu maior ídolo de então, Frank Sinatra, que colocava as famosas bobby-soxers para agitar sua mitologia no início de carreira, nos anos 40.

Família de artistas

Caubi Peixoto Barros nasceu em Niterói (RJ), em 10 de fevereiro de 1931, em uma família de músicos de qualidade: filho do violonista Cadete, sobrinho do famoso Nonô (Romualdo Peixoto), grande pianista que popularizou o samba no instrumento, além de ser primo do notável cantor e compositor Ciro Monteiro. Seus irmãos também se destacaram na área artística: Moacyr Peixoto como pianista, Arakén Peixoto como trompetista e Andyara como cantora.

Sua carreira teve início em programas de calouros. Era tão prodigioso que acabou se tornando o primeiro cantor brasileiro a gravar rock, a faixa Rock’n’Roll em Copacabana, em 1957. Na mesma década, logo após gravar seu primeiro disco, trocou o Rio por São Paulo para ser o crooner das boates Oásis e Arpége.

De volta ao Rio, entrou para o elenco da Rádio Nacional. Segundo lembrou Patricia Palumbo, no livro Bastidores, biografia escrita por Rodrigo Faour, conta-se que Cauby estava tão determinado a ser pop star que teria trocado todos os dentes por uma prótese para parecer mais atraente à juventude, mesmo que sua voz soasse como a de um homem mais experiente.

"Deu certo. O homem foi um fenômeno! Quando eu era ainda uma iniciante no rádio tive a oportunidade de entrevistá-lo e foi uma das melhores experiências profissionais que já vivi. Levei uma pilha de LPs pro estúdio e fui comentando com ele seus grandes sucessos. Cauby, assíduo frequentador das ondas sonoras nos tempos em que esse era o melhor dos mundos, falava comigo e também com o microfone.

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