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Jornal Diário de Suzano - 18/04/2019
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Caderno D

Cientista política comenta o papel da imprensa e o cenário político do País

Tathiana Chicarino fala, durante o programa "DS Entrevista", dos comportamentos do presidente Bolsonaro nas redes sociais

Por Aline Moreira - de Suzano07 FEV 2019 - 23h38
Tathiana Chicarino no "DS Entrevista"Foto: Bruna Nascimento/Divulgação
"Democracia sem imprensa é impossível". Essa é a defesa que a cientista política e professora de pós-graduação na Fundação Escola em Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Tathiana Chicarino, faz do papel da imprensa para o atual cenário político do País e para as relações democráticas do Estado. 
A especialista foi a entrevistada da vez no programa "DS Entrevista". Na ocasião, Tathiana abordou as relações da mídia com o governo e os perigos das redes sociais para a divulgação das ações executadas pelo governo federal. "A campanha do presidente Bolsonaro foi praticamente feita pelas redes sociais. Agora, mesmo depois de eleito, continuar usando somente as redes para se comunicar é uma falha perigosa já que esses não são os canais institucionais", diz. 
 
Tathiana explica que essa ação da mídia única beneficia somente quem é seguidor do presidente nas redes. Quem não acompanha, por vezes, vai ficar de fora de suas ações. 
 
"Esse canal direto com o seu eleitorado exclui a oposição; ele (Bolsonaro) recentemente bloqueou alguns jornalistas do Twitter dele", lembrou Tathiana. 
 
Além disso, Tathiana enfatiza que o papel da imprensa é justamente investigar e cobrar as ações do Estado. 
 
Para ela, a linha direta entre o político e o seu eleitorado não é democrática, uma vez que todos têm o direito de saber o que o Estado faz e como faz. 
 
Outro fator que Tathiana determina ser preocupante para a democracia é a rejeição da imprensa, colocando-a como inimiga de governo. "A imprensa pode ter muitos problemas, mas de fato ela age como a instituição que faz a intermediação entre o Estado e a população, por isso é necessária", conta. 
 
Tathiana estuda o papel da imprensa no Brasil há dez anos, principalmente a cobertura de mandatos presidenciais. De lá para cá, ela relembra de algumas mudanças pontuais que ocorreram com o tempo, mas afirma que o dever da imprensa sempre será de pressionar o governo, seja ele estadual ou federal. Sobre uma possível abertura da mídia no novo governo, ela critica as falas do presidente que colocam a imprensa como inimiga e compara o discurso de Bolsonaro com o do presidente Donald Trump, nos EUA. 
 
"O Bolsonaro não vai ser o primeiro e nem o último a sofrer com a pressão da imprensa. O discurso de ver a imprensa como inimiga é claramente uma cópia do Trump. Só que esse discurso não vai 'colar' por muito tempo por que as pessoas vão cobrar as explicações sobre determinadas ações e projetos executivos. Repito, Bolsonaro pode usar as redes sociais, mas esse canal de comunicação não é o único e tampouco direcionado a um determinado grupo", explica. 
 
Tathiana ainda enfatiza que o tratamento que um determinado governo dá a imprensa pode ser entendido como um sinal de autoritarismo. Ela exemplifica alguns indicadores baseados na concepção dos autores do livro "Como as democracias morrem", Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. 
 
"Olhando pela lente desses autores, eles traçam alguns indicadores para que a gente identifique o comportamento autoritário. Um deles é o tratamento com a imprensa, então tratar a imprensa como uma inimiga, como um adversário a ser derrotado é um sinal de autoritarismo", cita. 
 
A entrevista completa pode ser conferida na página do Diário de Suzano no Facebook. 

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