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Jornal Diário de Suzano - 25/09/2020
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Diretor David Russell faz de 'Joy: O Nome do Sucesso' o seu 'Oito e Meio'

28 JAN 2016 - 07h00

Já são mais de 20 anos de carreira o primeiro longa, “A Mão do Desejo”, é de 1994, mas, quando se referem a David O. Russell, os críticos se concentram na fase que começa com “O Vencedor”, em 2010. Desde então, e principalmente desde que se associou a Jennifer Lawrence, Russell tem sido outro homem, e outro diretor. Seu desafio tem sido proporcionar papéis cada vez melhores a 'Jen', que virou estrela na série “Jogos Vorazes”. Ela ganhou o Oscar por “O Lado Bom da Vida”, foi indicada para melhor atriz por “Inverno da Alma” e coadjuvante por “A Trapaça” e, agora, de novo a melhor atriz, por “Joy”.

Russell adora heróis que vivem histórias conturbadas, em famílias desestruturadas, mas terminam chegando lá, não necessariamente à zona de conforto proporcionada pelo sucesso, tão decisivo na competitiva sociedade norte-americana, mas também. O garoto de “A Mão do Desejo” masturba-se, o de “Procurando Encrenca” parte em busca dos pais biológicos, o de “O Vencedor” consegue ser campeão malgrado o favoritismo da mãe pelo outro irmão. Mais que os demônios internos, os demônios em torno são o tormento dos heróis e heroínas de Russell. Por isso mesmo, seu melhor filme até hoje era “Quatro Reis”, de 1999, apesar dos problemas que teve com o astro George Clooney.”

Era, porque agora o melhor passa a ser “Joy”, com o sugestivo subtítulo de “O Nome do Sucesso”. Pronto não há dúvida de que a personagem de Jennifer Lawrence, que inventa um tipo de esfregão, vai realizar o sonho da avó, a única que confia nela, transformando-se em empresária bem-sucedida. Joy é a Cinderela mais estranha de Hollywood. O pai é seu inferno, mais que a madrasta, e o mais próximo do príncipe que vem salvá-la é o diretor de TV a quem ela precisa convencer que é boa, vendendo o que faz.

O sexo passa ao largo de sua história, mas há muito sexo na família. O pai casa-se de novo (e a madrasta é, sim, uma megera) A mãe, presa ao leito, descobre seu salvador. Joy vive na casa deteriorada e ainda abriga o ex. Nenhum homem vem salvá-la. Ela é quem se salva, apesar deles. Como se conta uma história dessas? Como se conta a de Quatro Reis, sobre um grupo de soldados, heróis improváveis, na Guerra do Iraque? Joy começa com o que parece uma paródia de telenovela, sobre uma heroína sofredora. O príncipe da mãe é um haitiano negro e pobre, mas bom de encanamentos e de cozinha. Joy não tem príncipe. Tem a si mesma, e a confiança da avó.

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