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Jornal Diário de Suzano - 20/09/2020
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Diretores refletem sobre 'Ave, César!'

03 MAI 2016 - 08h00

Há um subtexto em Ave, César!, como em todo filme dos irmãos Coen, mas o longa é principalmente uma comédia muito engraçada sobre os bastidores de Hollywood na era de ouro dos grandes estúdios. Joel e Ethan escrevem e dirigem - o crédito é duplo em ambas as funções - e o filme faz a súmula de tudo o que o cinéfilo associa ao regime de estúdio. O executivo poderoso, a rodagem de um épico (religioso?), o galã burro, a estrela vagabunda, a colunista de fofocas, etc. Algumas cenas já nasceram clássicas - Ralph Fiennes como o diretor que se desespera ao tentar extrair uma atuação dramática convincente do caubói cantor; o executivo, Mannix/Josh Brolin, convocando líderes religiosos para avaliar a representação do Cristo na tela; Frances McDormand como a montadora que quase morre sufocada na sala de edição; e Scarlett Johansson como a estrela que, com rabo de sereia, participa da coreografia de um musical aquático no estilo do diretor e coreógrafo Busby Berkeley com a lendária Esther Williams.

Em Berlim, em fevereiro, os Coens foram sinceros com o repórter - "Cannes é melhor. Tem praia, sol, calor." Mas Ave, César! inaugurou oficialmente a Berlinale deste ano. Dá para rir bastante, mas há o tal subtexto ‘sério’. O astro (George Clooney) é sequestrado por grupo de simpatizantes russos, o que situa o filme dos Coens na vibe das produções que têm abordado o macarthismo e a Guerra Fria. Os Coens, vale lembrar, escreveram o roteiro de Ponte dos Espiões, de Steven Spielberg. E o macarthismo está no centro do ‘plot’ dramático de Trumbo. Apesar disso, Ethan e Joel não tinham resposta para a pergunta mais óbvia de todas - por que essa (nova) obsessão pelo macarthismo? A liberdade de expressão está de novo ameaçada em Hollywood?

"Tínhamos essa história há bastante tempo, mas nenhum roteiro escrito. O roteiro surgiu há pouco, provavelmente, sentimos que, depois de Ponte dos Espiões, havia mais clima para abordar essa história. Todos nós fomos crias da Guerra Fria, num período em que ela começava a desaparecer, mas os anos 1950, a época do macarthismo, foi de muita polarização. Havia a paranoia anticomunista. Os comunistas comiam criancinhas, você sabe. É salutar poder tratar essas coisas com humor." Houve um Eddie Mannix real e há muito os Coens se interessavam por ele. "Mas o nosso é mais simpático. O verdadeiro (biografado por E.J.Fleming em ‘The Fixers’) era brutal na defesa do estúdio (a Metro)”.

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