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Em 'Drama'n Jazz', Alessandra Maestrini une jazz, ópera, gospel e bossa nova

30 MAR 2016 - 08h00

Alessandra Maestrini ocupa o palco do Teatro Porto Seguro para apresentar o show Drama’n Jazz, título de seu primeiro CD, lançado em 2012. O nome traduz com precisão o talento de uma artista versátil: Alessandra vai apresentar clássicos do jazz, como I Feel Good (I Got You), de James Brown, e The Man I Love, de George Gershwin e Ira Gershwin; também uma adorável canção do musical Funny Lady, How Lucky Can You Get, com letra adaptada para o português; e ainda uma música da ópera Sansão e Dalila, Mon Coeur S’Ouvre a Ta Voix, com um original arranjo em bossa-nova, sugestão de Nelson Motta, seu consultor de repertório.

"Como se tratava do primeiro disco, eu não queria eleger apenas um estilo musical para não ficar rotulada", comenta Alessandra, artista impossível de ficar marcada somente por uma forma de expressão - apesar de mais lembrada pelo grande público pelo papel da divertida Bozena no seriado Toma Lá Dá Cá, de Miguel Falabella e exibido pela Globo, ela constrói uma carreira que inclui participação em importantes musicais, começando em 1997, quando atuou em As Malvadas, de Charles Möeller e Claudio Botelho. Depois, vieram Ó Abre Alas (1999), Rent (1999), Les Misérables (2002), Ópera do Malandro (2003), 7 - O Musical (2007) e New York, New York (2011).

Alessandra também é versionista, ou seja, cuida da tradução de músicas conhecidas, e ainda é compositora. Essas duas últimas funções, aliás, são responsáveis por momentos marcantes do espetáculo de hoje - Alessandra é autora da canção Onde (ao lado de Ana Carolina) e cuidou da versão em inglês de Eu Te Amo, de Chico Buarque e Tom Jobim. O resultado agradou o compositor. "Chico me disse que recebe muitos pedidos para transpor suas canções para outras línguas, pedidos normalmente negados", explica. "Mas o meu trabalho o deixou tão empolgado a ponto de ele exagerar e dizer que ficou até melhor que o original."

Drama’n Jazz já foi apresentado antes, no formato concerto, com um cenário e a cantora acompanhada de orquestra. Desta vez, por ser uma única apresentação, ela terá ao seu lado apenas um pianista, o maestro João Carlos Coutinho, e uma cadeira. "Tenho o palco inteiro para ocupar", diverte-se Alessandra, que exibe justamente esse espírito em cena, ou seja, a brincadeira se alterna com momentos mais dramáticos, sem que nenhum tenha um peso definitivo. "Como somos apenas eu e o João Carlos, há a possibilidade de fazermos o que quisermos em cena", diz ela, que atua como uma autêntica one woman show.

Assim, Gringo Cardia é responsável pela direção de arte, enquanto o comando geral fica mesmo nas mãos (e na voz) de Alessandra Maestrini. "Para isso, utilizo muito as técnicas de expressão corporal que adquiri ao longo dos anos e que sempre me foi útil nos musicais."

Há três anos em cartaz com esse espetáculo, a atriz e cantora conseguiu, ao longo do tempo, aperfeiçoar pequenas pérolas, como unir a ópera com o gospel, algo que empolgou Nelson Motta, seu principal incentivador nesse experimento. "Quando começamos, ele decretou: ou vai ser um sucesso, ou um tremendo fracasso", lembra Alessandra, que exibe um incrível domínio de palco.

Tamanha facilidade, no entanto, só encobre uma preparação cuidadosa, algo que já rendeu novos frutos, como o espetáculo Yentl em Concerto, que volta em cartaz no dia 16 de maio, no mesmo Teatro Porto Seguro.

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