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Caderno D

Em livro, Mateus Sartori mostra que Política Cultural se constrói coletivamente

Com detalhes sobre gestão pública, obra será lançada pelo secretário de Cultura e Turismo em Mogi das Cruzes na próxima quinta-feira, dia 17

Por de Mogi14 DEZ 2020 - 15h04
Em livro, Mateus Sartori mostra que Política Cultural se constrói coletivamenteFoto: Divulgação

Oito anos. Quase três mil dias. Esse foi o tempo – entre 2013 e 2020 - que Mateus Sartori atuou como Secretário Municipal de Cultura e Turismo em Mogi das Cruzes. Prestes a deixar o cargo, ele lança, na próxima quinta-feira, dia 17, um livro, no espaço Pro Ambiente. ‘Política Cultural: Uma Construção Coletiva’ não é, no entanto, uma lista do que ele fez enquanto gestor público. É um registro de como uma cidade com mais de 460 mil habitantes se uniu, colecionou equipamentos e conquistas e desenhou, a partir de muito diálogo, um Plano Municipal de Cultura (PMC) que traça ações para toda uma década.

A contracapa da obra, que está sendo lançada pela Capella Editorial, traz um resumo pontual. O leitor encontrará, em cada uma das 340 páginas, detalhes da “jornada para traçar o destino cultural” de um município, “desde a concepção à aprovação” de um Plano Municipal de Cultura. Está ali a principal dica: Mogi “investiu no Programa Diálogo Aberto, do qual participaram cerca de 17 mil cidadãos, em 318 reuniões”.

Há que se considerar a orelha assinada por Adamilton Andreucci, Coordenador de Cultura de Mogi das Cruzes entre 2005 e 2008 e diretor do Teatro da Universidade de Mogi das Cruzes (TUMC). “Este livro servirá às gerações futuras, não só como memória de passado recente e de duras lutas e conquistas, mas como vigorosa sustentação e de alerta do que há por vir”, diz ele.

O “verdadeiro guia” começa, portanto, com reflexões de seu autor. Como o livro surgiu durante a conclusão da pós-graduação de Sartori em Cultura: Plano e Ação pela Universidade de São Paulo (USP), a introdução funciona como um “embasamento teórico”.

Nas primeiras páginas, o leitor é situado sobre o conceito de cultura, cuja definição de Sartori vai além “das belas artes, do teatro, da música”, defendendo tecnicamente que o setor é o caminho para “o desenvolvimento de uma cidade”. Também são apresentados, no início, os vários “direitos culturais”, teorizações sobre “a cultura e a cidade”, o Plano Nacional de Cultura, e a importância da existência de políticas públicas funcionais e fortalecidas para uma “Cidadania Cultural”.

Entendidos estes conceitos básicos, Sartori mostra o peso de um programa como o ‘Diálogo Aberto’, que “ouviu, capacitou e possibilitou a participação democrática” de agentes culturais e pessoas interessadas na arte e cultura. Estas práticas, subsidiadas pelo Sistema Municipal de Cultura, foram essenciais para “conhecer a demanda existente, valorizar o que a cidade já praticava e entender necessidades futuras”. 

As páginas de ‘Política Cultural: Uma Construção Coletiva’ não se limitam a palavras, apresentando imagens, gráficos e planilhas. Algumas das fotos que mais impactam são aquelas que registram os pedidos populares por uma Casa do Hip Hop em Mogi das Cruzes. E também as que mostram conversas que levaram à construção deste equipamento.

Também são mencionadas outras conquistas que vieram com o diálogo. Exemplos são o Centro Cultural e a Pinacoteca de Mogi, o Programa de Fomento à Arte e Cultura (Profac), a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e o Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam). Além destas, a instalação de uma unidade provisória do Serviço Social do Comércio (Sesc) e outras várias ações pontuais, como uma grande Casa de Artes em um bairro descentralizado, atualmente em obras.

Mateus Sartori dedica ainda um espaço para mostrar aos leitores “a potencialidade cultural e turística” da cidade que o teve como gestor. Isso porque o público alvo do projeto é abrangente, de todo o Brasil: “integrantes do poder público, de entidades sem fins lucrativos, agentes culturais e principalmente pessoas que pensam como fortalecer políticas públicas”.

Em um extenso “reconhecimento da situação ‘quem somos e como estamos’ no âmbito da gestão cultural do município”, Sartori estabelece um diagnóstico com dados, números e informações sobre a cena mogiana. São abordados temas como população, saúde financeira, religião, Produto Interno Bruto (PIB), educação e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), além de detalhes sobre todas as leis aprovadas em conjunto com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo nos últimos oito anos. O documento, explica ele, imprime uma “fotografia da Mogi de 2019, e esta será a base para analisarmos no futuro, se os objetivos do Plano Municipal de Cultura foram alcançados”.

É a partir desta análise que o livro explora as muitas possibilidades de “interfaces com o setor cultural”. A defesa de Sartori é por um olhar de “política central e transversal” para a Cultura. “Problemas encarados como sendo de segurança pública muitas vezes são culturais, assim como questões de saúde e educação. Então penso que a Cultura deva estar dentro de todas as secretarias”.

Ao final, o autor apresenta na íntegra o PMC, oficializado pela Lei Municipal nº 7.536. O livro, portanto, funciona como registro definitivo do esforço de muita gente. De milhares de mogianos que vêm trabalhando em conjunto desde 2013.

O autor conclui, porém, mostrando que o texto ‘Política Cultural: Uma Construção Coletiva’ não deve ser encarado como “uma bula, um cardápio, menu ou receita de bolo”. O que ele espera é que a obra – seu primeiro livro, que será disponibilizado em versão física e em formato e-book – sirva como uma análise do que deu certo em Mogi das Cruzes e do que esta cidade espera para o setor cultural nos próximos 10 anos. Além disso, a expectativa é de influenciar outros cantos, de todo o país.

 

O autor

Mateus Sartori é músico, arquiteto urbanista, turismólogo, gestor cultural e empresário. Cursou Gestão Cultural no Centro de Pesquisa e Formação do SESC e é pós-graduado em Gerente de Cidades (FAAP) e Cultura: Plano e Ação (USP).

Estudou canto erudito e regência na Escola Municipal de Música de São Paulo e Universidade Livre de Música Maestro Tom Jobim, hoje conhecida como EMESP; e possui diversos discos lançados.

Secretário de Cultura de Mogi das Cruzes (SP) de 2013 a 2020, acumulou a partir de 2017 a função de coordenador de Turismo e passou a ser responsável pelas ações de juventude. Foi o articulador na criação das Câmaras Técnicas Regionais de Cultura e Turismo da Região Alto Tietê e o representante regional na comissão de elaboração do Plano Estadual de Cultura de São Paulo.

Como Gestor Público, entregou 11 novos equipamentos culturais em oito anos, sendo que seis foram viabilizados e aprovados com seus projetos arquitetônicos, como o Centro Cultural de Mogi das Cruzes, Estúdio Municipal de Áudio e Música, Casa do Hip Hop, Pinacoteca Municipal e outros. E em 2017 torna-se o representante da administração pública na articulação que viabilizou, por meio da maior audiência pública já realizada, a instalação de uma unidade do SESC no município.

Participou ativamente na redação e aprovação de 18 legislações municipais visando o fortalecimento da gestão cultural e do turismo, dentre as principais estão: o Plano Municipal de Cultura, Lei de Incentivo Fiscal Municipal, Programa de Fomento à Arte e Cultura, Sistema Municipal de Cultura, Sistema Municipal de Museus e Município de Interesse Turístico.

Implantou o Programa Diálogo Aberto, um dos maiores programas municipais de gestão cultural participativa, realizando 318 fóruns e encontros municipais com mais de 17 mil participantes em oito anos. É fundador e vice-presidente do Conselho Gestor da Associação de Dirigentes Municipais de Cultura (ADIMC).

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