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Jornal Diário de Suzano - 22/09/2020
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Épicos bíblicos voltam à moda. ‘Os Dez Mandamentos’ é a prova do sucesso

26 MAR 2016 - 08h00

E os épicos bíblicos voltaram à moda. O sucesso esdrúxulo de Os Dez Mandamentos reacendeu o interesse pelas narrativas da Bíblia - se é que alguma vez elas deixaram de atrair o público. O ‘esdrúxulo’ explica-se porque a versão para cinema da novela da Record vendeu ingressos feito água, as salas que teoricamente deveriam estar cheias, estavam vazias. Na sequência, Os Deuses do Egito teve salas lotadas. O curioso é que, nesses casos, o público talvez tenha comprado gato por lebre e os ‘deuses’ do título não apenas eram pagãos como o relato movido pela luta do poder no antigo Egito e a participação dos deuses nas vidas, inclusive a afetiva e sexual, dos homens.

Temos agora mais dois épicos e esses, sim, bíblicos, por mais liberdades que tenham tomado diretores e roteiristas. Ressurreição estreou na última quinta. O Jovem Messias estreiou ontem, mesmo dia do esperado embate entre Batman e Superman, na fantasia de super-heróis de Zach Snyder. Ambos os filmes traçam um arco completo da experiência terrena do filho de Deus. Ressurreição, de Kevin Reynolds, é sobre a crucificação O Jovem Messias, de Cyrus Nowrasteh, com base no livro de Anne Rice - a autora de Entrevista com o Vampiro -, é sobre o menino Jesus, que descobre ser uma criança especial e busca respostas para as indagações que o consomem. E ambos, na verdade, são sobre os tribunos que, em diferentes momentos da vida de Cristo, a ele estiveram ligados.

A história de Ressurreição guarda algumas semelhanças com O Manto Sagrado, de Henry Koster, de 1953, que entrou para a história como filme que inaugurou o cinemascope. Na época, Hollywood estava acuada por uma nova mídia que surgia avassaladora - a televisão - e tanto o formato widescreen como os recursos empregados para contar uma história dos tempos de Cristo visavam mobilizar um público que já estava começando a se recusar a sair de casa. O Manto Sagrado é sobre a conversão do tribuno (Richard Burton) que comandou a crucificação de Cristo. Joseph Fiennes é agora o tribuno enviado pelo cônsul romano para orquestrar o rito da mesma crucificação.

Há toda uma preocupação com o quadro da época. O cônsul está preocupado com a próxima visita do imperador romano à Judeia, os sacerdotes do templo alarmam-se com os rumores que anunciam, no terceiro dia após a morte, a ressurreição do santo homem que armaram para crucificar. Fiennes deve guardar o sepulcro e, quando o corpo desaparece, deve buscá-lo. Ele encontra o próprio Cristo - o homem que viu morrer na cruz. Segue-o com sua alma danada, como quem busca uma segunda chance. Talvez a segunda chance e a ressurreição do título sejam as que busca o próprio diretor Reynolds. Autor de um dos grandes filmes dos anos 1980 - o visceral A Fera da Guerra, com Steven Bauer e Jason Patric -, Reynolds ligou-se a Kevin Costner, a quem já dirigira em seu longa de estreia, Fandango. Realizaram Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões, um sucesso, e Waterworld - O Segredo das Águas, um fracasso monumental que fez com que Reynolds perdesse o rumo e o próprio Costner visse abalada sua condição de astro - O Mensageiro, que ele mesmo dirigiu, somente piorou as coisas depois.

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