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Jornal Diário de Suzano - 31/10/2020
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Escritores relembram Caio Fernando de Abreu nos 20 anos de sua morte

23 FEV 2016 - 08h00

Caio Fernando Abreu, uma figura esguia andando de sobretudo e cachecol pela Paulista numa madrugada de inverno. Caio subindo a Augusta. Na casa de Antonio Candido e num quarto de hotel. No Café Lamas, no Rio. Em viagem literária pela Alemanha. Ao telefone um pouco antes do fim. Caio F. morreu no dia 25 de fevereiro de 1996, aos 47 anos, em Porto Alegre, pouco mais de dois anos após se descobrir portador do HIV. Hoje, 20 anos depois, escritores que conviveram com o autor de Morangos Mofados, que foi também cronista do Caderno 2 e hoje é um dos autores mais populares das redes sociais e aqui é preciso dizer que basta conhecer sua obra e seu estilo para saber que muitas das frases compartilhadas são erroneamente atribuídas a ele - falam sobre a trajetória de um dos principais autores brasileiros da segunda metade do século passado.

Mais cosmopolita entre os escritores gaúchos, na opinião do conterrâneo Fabrício Carpinejar, Caio abriu uma frente para os autores de seu Estado, até então presos ao romance histórico. "Com ele, ingressamos na temática urbana, no realismo psicológico, na introspecção. Nunca ninguém foi tão catártico e confessional como Caio", diz o poeta que estreou na literatura pouco depois da morte do autor. "Essa é a literatura em que acredito. É furiosa, passional, inconstante, mas tem a retaguarda da disciplina e da arquitetura. A busca pela simetria - nem que seja a simetria do caos. Sempre foi um artesão que trabalhava e retrabalhava seus contos", completa.

Mário Prata concorda

"Tudo o que Caio fez foi bom e a principal característica de seu texto é a beleza. É tudo muito limpo, trabalhado. Ele foi um artesão da frase e do raciocínio." Os dois já se conheciam antes de se retirarem em um hotel para se concentrarem na escrita da sinopse de uma novela da Manchete. Ali, ficaram mais próximos. Dali, foram juntos à casa de Antonio Candido pedir conselhos. "Caio foi uma pessoa à frente de seu tempo. Era muito bom - mas podia ser mau também.

Tinha aquela cara satânica, um rosto que poderia ser de um anjo ou do demônio.

Mas quem o conheceu sabe que ele era muito mais anjo", diz. No fim da vida, Caio ainda escrevia para Mário, que destaca o humor do amigo mesmo com a proximidade da morte. Numa delas, disse seguir cuidando do jardim, ora de Havaianas, ora de salto alto.

Nélida Piñon, responsável por apresentar Caio Fernando à musa Clarice Lispector, lembra com carinho o amigo morto precocemente "Nós nos gostávamos muito e nos frequentávamos. Eu fazia comidinha para ele - tudo muito simples, um espaguete, o que eu tivesse. Viajamos juntos pelo Rio, pela Alemanha. Ele era dramático, sofrido, angustiado, mas também lúdico. Nós nos divertíamos muito", conta. E completa: "Caio semeou inquietações artísticas. Ele não era conservador na escrita nem no pensamento, e isso é um mérito extraordinário no nosso tempo".

Marcelino Freire estava dentro do ônibus quando viu Caio Fernando Abreu andando pela Augusta. "Minha vontade era ter saltado do ônibus.

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