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Jornal Diário de Suzano - 19/09/2020
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Fagundes será coronel Afrânio em 'Velho Chico'

10 ABR 2016 - 08h00

Rodrigo Santoro vai entrar no corpo de Antonio Fagundes. Ou melhor, o coronel Afrânio, que hoje vive em Santoro, passará a habitar a pele do outro em Velho Chico. É novela, vá lá. Mas, revendo aquele libertário personagem que conhecemos no primeiro capítulo, imerso na revolução cultural de uma Tropicália que fazia Salvador ferver, e que foi se transformando na mais fiel tradução do coronel, capaz de mandar matar e calar quem o confronta, a mudança física parece coisa pouca. "Eu digo para o Rodrigo: ‘olha o que a vida fez com você’, que triste", brinca Fagundes.

Fagundes relutou em contar como seria seu visual em cena. "Tenho certeza de que o público vai se surpreender", disse. A imagem do Afrânio de Fagundes só chegou à redação do jornal na noite de sexta-feira, por e-mail, quando enfim tivemos o aval do diretor Luiz Fernando Carvalho para mostrar o novo Saruê. O ator assume o personagem já com alguma carga de maldade nas costas. Durante a festa de lançamento da novela, há menos de um mês, Fagundes - que de Benedito Ruy Barbosa já fez “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Mad Maria” (minissérie) e “Meu Pedacinho de Chão” disse que as histórias do autor não têm vilões. Afinal, os malvados das sagas do dramaturgo costumam ter seus pecados arrefecidos ao longo da trama. Pergunto se ele ainda pensa assim, depois de ver do que Afrânio é capaz. Ele arrisca que, talvez, no fim da novela, sua previsão se confirme. "Acho que novela do Benedito, como devia ser na vida, não tem vilões. Ela tem humanidades, pessoas que fraquejam em alguns momentos, erram, mas também que, apesar dos seus erros, são capazes de se rever."

Ou não. Em menos de um segundo, Fagundes refaz seu raciocínio. "Se bem que acho que a realidade está desfazendo isso tudo que estou dizendo. Nós estamos vendo agora, na realidade, vilões, canalhas inteiros, pessoas que não têm a menor possibilidade de se redimir. Você vê um Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, é um personagem fabuloso, mas ele contradiz isso. Não tem humanidade. A realidade realmente nos destrói um pouquinho quando a gente quer enriquecer os personagens. Se a gente pegasse esse enredo que estamos vivendo, ontem mesmo eu falava isso ao Daniel Filho, diriam: ‘Desculpe, está muito mal feito. Esse personagem aqui não existe, está muito maniqueísta’".

No caso de Afrânio, apesar da esperança em encontrar uma figura mais humana no fim da novela, a virada de Santoro para Fagundes representa um hiato de 28 anos no enredo e ele chega a esse novo tempo mais malvado que nunca. O texto de Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto do autor da história, respectivamente, ganha tinhas políticas bem mais fortes. Afrânio se torna uma aberração do símbolo do coronelismo, com ações nada camaradas. "Ele constrói uma estrada, é muito aplaudido na inauguração, é fantástico o que ele fez naquela caatinga. Agora, a estrada só vai até o entreposto dele", conta o ator, que vê semelhanças profundas entre a trajetória do personagem e os rumos do País.

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