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Jornal Diário de Suzano - 18/10/2020
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Filho de Chorão lança livro com fotos inéditas do Charlie Brown Jr.

11 MAI 2016 - 01h36

O riso sincero, porém nervoso, lembra bastante o do pai. O olhar determinado busca, em alguma letra do Charlie Brown Jr., respostas para o trágico desfecho de uma das bandas mais importantes do rock nacional na década de 1990. Aos 25 anos, Alexandre Abrão, filho de Chorão, morto em 6 de março de 2013, aos 42 anos, é perfeccionista.

Xande, como prefere ser chamado, quer manter o legado do grupo, honrar o nome do vocalista santista e dar continuidade a projetos presos na gaveta há alguns anos. O primeiro deles é o livro “Eu Estava Lá Também”, que reúne mais de 300 fotos da banda nos últimos sete anos.

O material fotográfico, visto com exclusividade pela reportagem, traz imagens de shows, bastidores no estúdio e momentos de descontração do grupo paulista. "Faço por amor ao meu pai e ao Charlie Brown. Jamais me submeteria a isso para ter algum tipo de lucro. Não quero me aproveitar da situação, como alguns chegaram a falar por aí", diz Xande em entrevista exclusiva no escritório de sua produtora, no Centro de São Paulo.

A publicação, que ganhou pré-venda em campanha de crowdfunding pela plataforma Kickante, terá ao todo 200 páginas.

Chorão contratou o fotógrafo Jerri Rossato Lima para registrar todos os momentos do Charlie Brown Jr. Jerri acompanhou a banda em shows, programas de televisão, gravações em estúdio e sessões de skate durante sete anos, de 2005 a 2012, quando o vocalista decidiu dar um tempo com o projeto. "Lembro que cheguei na casa do meu pai e vi uma série de fotos dentro de uma maleta. Eu, mais do que ninguém, quis dar prosseguimento a isso, pois sabia quanto ele queria finalizar o livro. Era algo muito importante para a carreira dele. Infelizmente, não deu tempo. Não se trata de algo meu, portanto. Tudo aqui foi idealizado pelo meu pai. Apenas concluí. Tudo que envolve Charlie Brown sempre atrasa (risos). O livro deve ficar pronto em meados de setembro", afirma Xande.

Se personalidade explosiva e a maneira de se expressar lembram Chorão em todos os aspectos, as semelhanças com o pai terminam por aí. Xande não gosta de futebol (o pai era torcedor fanático do Santos) e pouco se envolveu com a música de uma maneira geral O jovem teve apenas algumas bandas ainda na adolescência. Teimoso, arriscou-se como baixista e guitarrista em duas oportunidades diferentes. "Já toquei baixo e guitarra, mas a coisa não foi para frente. Sei tocar um pouco. Acho que serve para não passar vergonha na frente da família. Têm vários instrumentos na casa do meu pai. Às vezes, brinco e tiro alguma música. Fico emocionado só de saber que aquele instrumento fez parte da história do Charlie Brown", crava.

De acordo com Xande, a relação com Chorão, que sempre foi boa, melhorou muito nos últimos anos de vida do vocalista. "Sempre respeitei muito meu pai. Ele foi um porto seguro para mim. Sem ele, não seria o que sou hoje. Seria só um moleque chato e mimado. Nunca fiz questão de ser conhecido como o filho do Chorão, tanto que me apresento como Alexandre, não como filho dele. E isso era uma coisa que ele gostava muito em mim: minha personalidade.

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