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Glória Pires fala sobre personagem em longa

21 ABR 2016 - 22h22

Glória Pires impressiona-se como as coisas ocorrem. "Estava engatilhada para fazer o Flores Raras quando Roberto (Berliner) me chamou para fazer a Nise. Ele estava tendo problemas com outra atriz, que ficou impossibilitada de fazer o papel e me propôs começarmos imediatamente. Disse que adoraria, mas era impossível. E aí o Bruno (Barreto) me ligou dizendo que íamos ter de retardar o Flores. Liguei correndo para o Roberto, expliquei para ele e foi assim que entrei no Nise. A direção de arte já estava em Engenho de Dentro, reconstruindo o Hospital Pedro II e, enquanto o cenário avançava, nós, o elenco, preparávamos nossos personagens Foram dois meses muito intensos."

Nise, com o subtítulo “O Coração da Loucura”, estreou ontem, em 83 salas do País. Capitais, cidades importantes do interior. O País está vivendo uma era de turbulência - impeachment e tudo o mais - e o quadro não parece muito favorável às estreias de cinema. Menos ainda a de um drama que retraça a luta de uma pioneira - de uma guerreira - da psiquiatria brasileira para garantir tratamento humano aos internos de hospitais para doentes mentais. Nos anos 1940, numa época em que o internamento podia ser compulsório e os pacientes eram tratados com choques, quando não lobotomizados, a doutora Nise da Silveira introduziu a arte como terapia ocupacional. Ocorre que alguns de seus “louquinhos” eram também grandes artistas e chegaram a ser reconhecidos como tal.

Da atividade da dra. Nise surgiu o Museu do Inconsciente. Um grande cineasta - Leon Hirszman - filmou Imagens do Inconsciente, documentando a obra de três pacientes da dra. Nise: Fernando Diniz, Adelina Gomes e Carlos Pertuis. A própria Nise deu muitas entrevistas, inspirou livros, artistas. Faltava a cinebiografia. "Só tenho de agradecer ao cinema por me permitir viver essas personagens icônicas", diz Glória Pires. Refere-se a Nise, claro, e a Lota Macedo Soares, a urbanista/paisagista de Flores Raras. Como se constrói uma personagem que existiu? Só o roteiro basta? "O roteiro do Roberto foi muito bem documentado, mas a dra. Nise foi muito filmada. Existem muitos registros da imagem dela, da voz. Trabalhei com uma fonoaudióloga e também com um preparador de elenco que fez o trabalho corporal do grupo de internos."

O próprio diretor, presente na entrevista, revela. "Nise não nasceu como um projeto meu. Outro ia dirigir e eu terminei sendo exortado a assumir, quando ele saiu. Mas a verdade é que me apaixonei pela história, pelos personagens." Glória prossegue - "Roberto era diretor de documentários. Nise é sua primeira ficção. Isso possibilitou uma integração muito grande entre a gente. Sempre fui de dar pitacos nos roteiros dos filmes de que participo, mas nesse caso o próprio Roberto me questionava. E quando a gente terminava a jornada do dia, sentava para discutir, e antecipar, o dia seguinte." Isso gerou um comprometimento muito grande, não apenas de Glória, mas de toda a equipe. O resultado veio através de um prêmio de melhor atriz em Tóquio e muitos elogios da crítica, mesmo que a Nise de Glória não seja uma unanimidade.

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