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Jornal Diário de Suzano - 22/09/2020
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Longa-metragem Aquarius concorre à Palma de Ouro no Festival de Cannes

19 MAI 2016 - 08h00

“Aquarius”, o longa de Kleber Mendonça Filho que concorre à Palma de Ouro, no Festival de Cannes, foi muito aplaudido na sessão de imprensa. Antes da sessão oficial, o destaque foi o protesto promovido pela equipe do filme, que cruzou o glamouroso tapete vermelho empunhando cartazes com dizeres como "Um golpe ocorreu no Brasil", "Dilma, vamos resistir com você", "54 milhões de votos foram queimados" e ainda "O Brasil não é mais uma democracia".

Ao entrar na sala de exibição, o grupo, que aproveitou a vitrine do maior festival do mundo para protestar contra o impeachment, abriu uma faixa na qual se lia "Parem o golpe no Brasil". Pelo Twitter, a presidente afastada Dilma Rousseff agradeceu às manifestações de solidariedade.

Segundo o diretor Kleber Mendonça Filho, "Aquarius também é um gesto em defesa do humanismo, contra a exploração do capital".

Foram belas sessões, para um belo filme. Kleber Mendonça Filho realizou com Aquarius um dos mais influentes filmes brasileiros recentes. Sua análise das relações sociais em O Som ao Redor terminou repercutindo em Casa Grande, de Fellipe Barbosa, e Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. A tensão social continua presente em Aquarius, mas agora o foco está no redesenho urbano do Recife.

Quem visita a capital pernambucana constata que a orla - a praia de Boa Viagem - virou reduto de espigões. Na ficção de Aquarius, Sonia Braga faz Clara. Ela é a última residente de um velho prédio que a incorporadora quer botar abaixo para construir uma torre. Clara sofre todo tipo de pressão, mas resiste. A pressão aumenta, mas ela tem um último gesto de guerreira.

Há três anos, Kleber vinha trabalhando no projeto, que esperava filmar no Aquarius, um dos últimos prédios antigos de Boa Viagem Mas o Aquarius foi demolido e Kleber filmou no Oceania, último remanescente de uma Boa Viagem mais humana, menos americanizada (hoje todos os prédios se chamam Garden ou Tower alguma coisa). Roteiro escrito, Kleber reuniu-se com amigos e colaboradores para avaliar o projeto. Surgiu a pergunta que não queria calar. Quem vai fazer Clara? Um amigo sugeriu na lata - Sonia Braga. "Sonia Braga", concordou o diretor. Ela topou e na terça, pela sexta vez, pisou no tapete vermelho de Cannes. Sonia já esteve aqui com os filmes Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, e Rebelião em Milagro, de Robert Redford. "Voltei depois como jurada e quando Mulher Aranha passou em Cannes Classics. Sou a única atriz que se tornou clássica em Cannes, mostrando o mesmo filme duas vezes", brinca ainda a atriz.

Se os aplausos servem como termômetro, Aquarius tem toda chance de integrar a premiação, que o júri presidido pelo cineasta George Miller, da série Mad Max, anuncia no próximo domingo.

Comparativamente, os aplausos para o novo Pedro Almodóvar, Julieta, foram mais protocolares, mas o filme é belíssimo. Do ponto de vista do público, o espanhol já ganhou. Almodóvar compete há anos pela Palma. O autor como pop star. Ele pisa no tapete vermelho e o público imenso que se reúne em frente ao Palais para ver astros e estrelas grita seu nome como se fosse Tom Cruise.

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