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Netflix aponta séries consumidas com mais compulsão no mundo

09 JUN 2016 - 08h00

Assistir a séries em ritmo de maratona - o chamado "binge watching" - é um hábito acelerado pelas plataformas de vídeo sob demanda, mas nem todo título é visto de modo compulsivo. A Netflix acaba de fazer um balanço mundial, com recorte do comportamento no Brasil, das séries mais vistas de modo acelerado e das mais consumidas até o fim em prazos mais demorados. O estudo divide os títulos entre "devorados" - quando cada sessão ultrapassa duas horas seguidas de episódios - e "saboreados" - com menos de duas horas por sessão. Constatou-se que os assinantes levam, na média mundial, seis dias para ver uma temporada inteira, o que no Brasil se arrasta por oito dias.

O brasileiro saboreia séries como “Grace & Frankie” e “Breaking Bad” - que, no balanço mundial, encabeça a lista de devoradas no gênero suspense -, e devora enredos como “Homeland” e “Bloodline”.

A mais saboreada aqui, no entanto, é “House of Cards” - globalmente, é “BoJack Horseman”. A mais devorada é “The Fall”, a mesma da lista mundial. No gosto global, “The Walking Dead” abre a lista de terror e “Marco Polo”, a de ação e aventura. “Narcos”, mais saboreada que devorada, aparece ao lado de “Better Call Saul” como dramas criminais, e “Mad Men”, como drama histórico: são gêneros que consomem do público mais tempo de apreciação.

A Netflix constatou que um assinante focado em completar uma série assiste a pouco mais de duas horas diárias até terminar uma temporada. Dentro dessa referência, tramas com ação e energia são devoradas, enquanto dramas instigantes e produções históricas são saboreadas.

Para Howard Gordon, criador de “Homeland”, “24 Horas” e “Arquivo X”, o ato de ver vários episódios em ritmo intenso afeta a absorção do enredo por parte do espectador. "Eu gostava mais de esperar pela terça seguinte para ver outro episódio", disse, certo de que cada episódio foi escrito para ser visto com o frescor do olhar. A exibição em sequência sufoca a chance de os episódios serem comentados um a um e reduz o tempo de debate em torno daquele conteúdo.

Roteirista de “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e da série “A Teia”, na Globo, Bráulio Mantovani acha "indelicado" opinar sobre como as pessoas devem assistir a uma série. "É quase como dizer a elas como devem fazer sexo", diz. Seu ritmo máximo de maratona, conta, foi ver cinco episódios em um dia, das séries “The Wire”, “Breaking Bad” e “Fargo”. “‘House of Cards eu vi de dois em dois’”, finalizou.

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