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Jornal Diário de Suzano - 26/09/2020
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No Brasil, cineasta Tim Burton enaltece Zé do Caixão e lembra infância tímida

12 FEV 2016 - 07h00

"É, talvez eu passe tempo demais em bares", diz Tim Burton, de 57 anos, antes de uma gargalhada daquelas. Cineasta, ícone de um cinema gótico, ora trágico, ora cômico, ora ambos, se vê com frequência encolhido em cantos de bares ou em coquetéis, com a caneta em punho, rabiscando um guardanapo de papel. Ali surgem ideias de novos e velhos personagens. As linhas são torcidas, cruas até, como motivadas mais pelo sentimento do que pelo apreço artístico. Uma centena desses pedaços de papel estão expostos em um corredor de O Mundo de Tim Burton, exposição que já está aberta no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, e que recebeu a visita do próprio homenageado. Burton encontrou jornalistas convidados ao longo da tarde e noite. "Me sinto mais confortável aqui no Brasil do que no meu país (Estados Unidos). Aqui, as pessoas se expressam mais. Me sinto em casa. E olha que só estou há 2 dias", ele diz. Hoje, ele encontra fãs com ingressos já esgotados. No sábado fará uma sessão de autógrafos para 350 admiradores já sorteados por uma promoção realizada pelo museu.

O cineasta, de rosto facilmente reconhecível, principalmente pelos cabelos quase propositalmente desgrenhados, assim como os personagens protagonistas de alguns de seus filmes, de Edward Mãos de Tesoura (1992) a Frankenweenie (2012), explica que foi uma criança de gostos diferentes - ou esquisitos. Adorava filmes de terror e se identificava com a ideia do cientista louco que cria Frankenstein (a referência mais clara disso é no praticamente autobiográfico e já citado Frankenweenie). Era exatamente como aquele garoto do longa, morando em Burbank, subúrbio de Hollywood (com vista para a traseira do famoso letreiro), sem amigos, preso dentro do seu próprio mundo, realizando pequenos filmes e curtas metragens - espera-se, apenas, que ele não tenha tentado ressuscitar o cachorrinho como o personagem da animação em stop motion.

"Certa vez, um dos meus vizinhos chamou a polícia, porque achou que eu era um assassino perambulando pela vizinhança", ele diz, para embarcar em uma nova gargalhada. "Mas sempre me vi como esse cientista louco. Amo Frankenstein e coisas assim. Acho que, por isso, gosto de fazer filmes em stop motion, porque é algo meio digno de um cientista maluco, mesmo, algo que não existe mais, mas você segue ali, montando quadro por quadro, para fazer as coisas se moverem na tela."

Jasão e os Argonautas (1963), filme pioneiro na técnica, de Ray Harryhausen, está entre as referências de Burton durante o papo de Burton e outros três jornalistas, antes da sessão de fotos e um encontro com um auditório repleto de outros repórteres. Mas ele também revela adorar o trabalho de Zé do Caixão (chamado por ele na versão do nome do brasileiro em inglês, Coffin Joe). "Não assisto a seus filmes há muito tempo", diz. "Mas assisto a vários desses filmes estranhos. Não gosto daqueles filmes que as pessoas consideram ótimos. Gosto de trash, como esses que eu faço."

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