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No mês em que completaria 80 anos, dramaturgo Plínio Marcos ganha mostra

17 SET 2015 - 08h00

"A peça ainda tem validade, não por méritos dela, mas a culpa é do País que não evolui. E se continuar essa situação que está aí, e peça vira um clássico", intuiu Plínio Marcos sobre a atualidade de sua Navalha na Carne em entrevista dada em 1988 no programa de Jô Soares.

Desde ontem, o Teatro do Sesi reaviva a memória com mostra de espetáculos, debates e exposição da trajetória do dramaturgo, ator diretor e jornalista que completaria 80 anos no próximo dia 29. Apresentações ocorre até dia 11 de outubro, às 20 horas e a entrada é gratuita.

O projeto foi idealizado pelo ator carioca Silvio Guindane, que conheceu o dramaturgo durante as gravações de A Turma do Pererê, exibida pela TVE. "Eu era moleque e tinha uns 14 anos. Foi muito emocionante contracenar com ele." Depois do encontro, a apreciação das obras de Plínio viria nos anos a seguir com a montagem de Barrela, com direção de Roberto Bomtempo e com Guindane no elenco. Na peça, um garoto é preso e, ao chegar na cadeia, é estuprado pelos colegas de cela. Após ser solto e, à medida que os outros eram libertados, o rapaz mata todos.

Na época em que foi escrita, Barrela ficou censurada por cerca de 20 anos e hoje representa uma das razões para que Guindane idealizasse o projeto. "Plínio foi o dramaturgo mais censurado do Brasil. E isso porque dava voz para as pessoas que não tinham voz. Ele colocou essa gente como protagonista e de uma forma magistral." Guindane se apresenta em Balada de um Palhaço e dirige o monólogo Plínio, de Mauricio Arruda Mendonça. "A melhor maneira de relembrar e reafirmar essa importância foi reunir os amigos e artistas dele, e colocar Plínio no palco."

A partir de 1979, ano em que o governo brasileiro aprovou a lei que estabelecia o multipartidarismo no Brasil, Plínio havia montado, clandestinamente, Barrela nos porões do TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia.

No ano seguinte, algumas de suas peças foram liberadas pela Censura Federal, e já se iniciava um lento processo de redemocratização. Na TV, a voz de Osvaldo Sargentelli que dava início ao Abertura, na Tupi, representava, como o próprio nome do programa, um dos primeiros passos para o fim do silêncio imposto pela ditadura militar no Brasil. Em uma dessas edições, o locutor sabatinou o autor nascido em Santos com perguntas de jornalistas, amigos e artistas.

Em uma delas, o dramaturgo Dias Gomes (1922-1999) questionava se o responsável pela crise no teatro teria sido a censura ou a incapacidade dos artistas. Ligeiro, Plínio adiantou que a subvenção às companhias era algo muito pior do que a própria repressão pois impedia o surgimento de um teatro questionador, encabeçado, segundo ele, por dramaturgos como Paulo Pontes, Gianfrancesco Guarnieri e Nelson Rodrigues. "Meu pai era assim. Os textos dele questionavam isso, e acabaram abrindo espaço para um teatro moderno, com textos curtos e mais ágeis, em relação aos demais autores daquele tempo", explica o filho Leo Lama, que também está na programação.

Um dia depois da comemoração do aniversário do pai, Lama subirá ao palco com o show Prisioneiro de Uma Canção. Nele, o músico e dramaturgo reuniu os principais textos do pai, entre eles Balada de Um Palhaço, Uma Reportagem Maldita - Querô e Mancha Roxa. "Quando eu tinhas meus 16 anos, meu pai me levava para todo canto. Ele sempre me dava os textos dele e pedia para que eu musicasse alguns trechos. E o que vamos apresentar é o resultado disso", explica. "Além disso, também trago algumas poesias dele e criações minhas."

O irmão de Lama, Kiko Barros, também integra a homenagem com uma celebração que se dá fora dos palcos. Ele organizou uma exposição com fotos do arquivo pessoal e figurinos utilizados em alguns espetáculos. "É engrandecedor ter um dramaturgo como ele na nossa família. Mas o mais importante é que as pessoas possam ter contato com a genialidade de Plínio. É como ele disse: a sua obra ainda se faz atual justamente porque o País não muda", observa.

E, ao fim daquela entrevista no Abertura, a última pergunta reservava uma surpresa. Recém elogiado por Plínio Marcos, o ‘anjo pornográfico’ surgiu: "Por que você se considera o maior dramaturgo do Brasil?", alfinetou Nelson Rodrigues. Logo ‘o maldito’ tomou fôlego e, com um sorriso malandro no rosto, disparou: "Porque eu copio seus defeitos, Nelson Rodrigues!".

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