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Jornal Diário de Suzano - 25/09/2020
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O amor e a autoironia da cantora Bárbara Eugênia em novo álbum

07 NOV 2015 - 07h00

É preciso uma boa dose de autoironia para começar um disco com uma música chamada Besta, quando ela se refere a si próprio. Cimentando uma unidade temática desde “Journal de Bad” (2010), seu primeiro trabalho, Bárbara Eugênia mantém em seu novo álbum, “Frou Frou” em show no Sesc Belenzinho -, as lamúrias amorosas coletadas da vida alheia e da sua própria. Mas decidiu descontrair. "Depois do É o Que Temos, eu fiz o Aurora (disco em inglês com o músico Chankas, do Hurtmold), que é um disco muito pessoal e profundo para mim. Aí, falei: 'ou vou fazer um disco profético e virar uma chata ou vou desbundar'. Preferi a segunda, porque o mundo está muito chato, as pessoas estão muito caretas, levando tudo muito a sério o tempo inteiro. O Brasil no Facebook é insuportável. Vamos relaxar, nada é tão importante assim."

Das linhagens da música brasileira que são suas principais referências, Bárbara destaca a música romântica, claramente presente na escolha de gravar a versão “Porque Brigamos” em seu segundo disco “É o Que Temos”. O sucesso de Neil Diamond cantado pela cantora Diana em 1973 rendeu a Bárbara o Prêmio Multishow de Música Brasileira na categoria Versão do Ano, 40 anos mais tarde.

Ela também cita a Tropicália, um movimento que, apesar das ambiciosas propostas estéticas oswaldianas, era a avacalhação por excelência. "Todo compositor brasileiro/é um complexado/Por que então esta mania danada/esta preocupação/de falar tão sério/de parecer tão sério/de ser tão sério (...) Ai, meu Deus do céu/vai ser sério assim no inferno!", provocava Tom Zé em Complexo de Épico, faixa do disco Todos os Olhos, de 1973.

É por isso que, se o repertório do terceiro disco de Bárbara Eugênia tem fossa, tem também bom humor. Na chorosa Ai, Doeu, ela canta: "Você pegou meu coração/depois pisou/bateu, chutou". Ela, que anteriormente já esperou fumando mil cigarros, lavou roupa suja de um amor que não tinha o menor cabimento, se sentiu sozinha, diz, desprendida, que vai passar, como indica também a música-mantra Para Curar O Coração. O “levar um fora” continua a ser o mote, mas ela agora tira sarro dele.

O desbunde de Bárbara é uma escolha deliberada de se soltar, divertir-se e divertir. Se essa escolha pode ser extrapolada, enquanto posição política, para vários de sua geração da música brasileira, há que se discutir. "Eu jamais falaria de política, porque não gosto. Não acredito mesmo em nada disso, acredito em um outro tipo de revolução", afirma. "Mas tem músicos superpolitizados e isso é importante também, porque as pessoas precisam se identificar ou precisam de uma voz pública, por meio da música, das artes plásticas, da literatura. A Karina Buhr fala na cara, ela é maravilhosa, está aí cumprindo um papel importantíssimo. O Lira, o Cidadão Instigado também."

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