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Preparando para a luta

13 JAN 2016 - 07h00

Stênio Garcia não aparenta, mas tem 83 anos de vida e 60 de carreira. O estilo de vida simples, que lhe garante o vigor físico, inclui caminhadas extensas pelo Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio, do qual é vizinho, prática de pilates, exercícios aeróbicos e ioga, alimentação natural, com inspiração na nutrição ayurvédica (indiana), e o plantio de árvores - gosta d e homenagear os amigos que morreram, dando seus nomes às espécies frutíferas, que já somam 40.

"Comi a primeira maçã do Chico Anysio ano passado. A Marília Pêra é uma bergamota-do-céu", contava o ator, antes de entrar em cena para ensaiar no Teatro dos Quatro.

Mais identificado pelo público por seus personagens televisivos, Stênio decidiu celebrar os 60 anos de ofício no palco, onde tudo começou. Escrito para ele, O Último Lutador, texto de Marcos Nauer e Teresa Frota, que o coloca num ringue, patriarca de uma família de lutadores, acaba com 18 anos de afastamento, motivado pelos compromissos na TV Globo - ele encadeia trabalhos desde a década de 1960.

"Sou muito requisitado e as novelas e séries quase impedem de fazer teatro. A não ser que você seja o (Antônio) Fagundes, que conquistou o direito de só gravar três vezes por semana", brinca Stênio, lembrando o amigo feito em Carga Pesada, a série que protagonizou com ele por seis anos, nas décadas de 1970/1980 e 2000.

O sensato e leal Bino é o tipo preferido dos cerca de 200 que encarnou desde que estreou, numa montagem de festival no mais prestigioso palco carioca, o do Teatro Municipal. A peça inaugural se chamava O Anjo, e também tinha no elenco uma iniciante Tereza Rachel.

Foi nessa montagem que o jovem de 23 anos, capixaba da pequena Mimoso do Sul e radicado no Rio de Janeiro desde os 12, entendeu que seu caminho seria o teatro. Seguiu com Cacilda Becker, Walmor Chagas e Ziembinski, em sua recém-criada companhia, com a qual viajaria o Brasil em seguidas encenações. Até então não despontara o desejo de ser ator. A semente foi plantada quando Stênio, perto dos 20 anos, começou a namorar uma menina que fazia curso de teatro à noite. "Eu ficava esperando que ela saísse para levá-la em casa e ganhar uns beijinhos. Assistia aos ensaios, arremedava as falas. Um dia, o ator faltou e me chamaram. Eu falei: ‘Eu não sou artista! Sou homem!’"

Graduou-se no Conservatório Nacional de Teatro dois anos depois. Na sequência, solidificaria a formação trabalhando com diretores robustos, como o próprio Ziembinski, Flávio Rangel, Antunes Filho, Antônio Abujamra. "Stênio tem todos os predicados de um ator de verdade. Na TV, poderia ter ficado rotulado muito facilmente, mas fez todos os tipos de papel: o caminhoneiro, o popular, o executivo, o bobo da corte", define Sérgio Módena, que o dirige em O Último Lutador.

Marcada para a sexta-feira passada, a estreia foi adiada para esta sexta, por causa de um atraso na instalação do cenário. Nada relacionado ao fato de Stênio e sua mulher, Mari Saade, também no elenco, terem pego caxumba perto do Natal. A doença deixou o ator com a audição do ouvido esquerdo prejudicada (a princípio, temporariamente).

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