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Rapper brasileiro Criolo faz série de shows e engata turnê na Inglaterra

31 MAR 2016 - 08h00

Sentado numa cadeira de madeira do lado esquerdo da mesa, os olhos de Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, ficam marejados. A camisa azul entreaberta e as mãos cruzadas de maneira torta e desajeitada mostram um rapper visivelmente emocionado. Com a voz trêmula, o paulistano fala das suas primeiras composições. Algumas delas, escritas há mais de 15 anos, integram o disco “Ainda Há Tempo”, lançado em 2006, bem antes dos renomados “Nó na Orelha” (2011) e “Convoque Seu Buda” (2014), quando seu nome artístico ainda era Criolo Doido. Olhando fixamente para o pai, o senhor Cleon Gomes, também presente na sala, busca ar para dar continuidade à linha de raciocínio. Já recuperado da avalanche de recordações, faz um breve resumo de sua trajetória iniciada no bairro do Grajaú, no extremo sul de São Paulo, e lembra dos passos iniciais no mundo da música.

O primeiro trabalho de Criolo, “Ainda Há Tempo”, comemora 10 anos em 2016. Para celebrar a data, o músico fará uma série de shows pelo País, sendo o primeiro na próxima sexta-feira, no Áudio Club, zona oeste da capital paulista. No dia 8, o single Ainda Há Tempo será relançado nas plataformas digitais. O disco físico completo só estará disponível na segunda quinzena de maio. "Eu e o Daniel Ganjaman (amigo e produtor musical) sempre tivemos o desejo de fazer algo com o Ainda Há Tempo. À época, foram só 500 cópias. Nunca tivemos a oportunidade de produzir um show somente deste álbum. Então, quando a data comemorativa foi se aproximando, pensamos que tínhamos que fazer alguma coisa. Foi o meu primeiro disco, mas já estava 18 anos na estrada quando ele nasceu. Algo extremamente importante para mim", diz o músico.

As apresentações de Ainda Há Tempo terão uma concepção artística diferente. A cada canção do show, o telão de LED exibirá um momento específico da trajetória de Criolo.

O teaser de “Chuva Ácida”, visto em primeira mão pela reportagem do Estado, apresenta o músico caminhando pelo bairro do Grajaú. As imagens mostram Criolo circulando pelos principais pontos que marcaram sua infância e adolescência até chegar ao centro da cidade de São Paulo. A paisagem móvel foi imaginada pelo artista plástico Alexandre Órion, que elaborou as engenhosas e lisérgicas animações que acompanham o fluxo contínuo das canções da turnê. Trata-se, portanto, de uma releitura audiovisual do que aconteceu na vida de Criolo.

"O hip-hop nos ensinou algumas coisas e a gente está tentando passar isso para frente, do nosso jeito. O gênero agrega. Ele sempre quer apresentar novos caminhos e beber de outras fontes. A ideia de ter uma direção de arte, coisa que eu nunca tive, veio, então, num momento especial. Passei para o Órion todo meu sentimento, o que cada uma das músicas tinha de importância. Na direção musical, responsabilidade do Ganja, tivemos a feliz ideia de convocar novos bitmakers da cena para que cada um, do seu jeito, elaborasse a parte instrumental", afirma ainda.

Mesmo depois de uma década, o disco menos conhecido da carreira de Criolo continua com letras atuais que, de diferentes formas, refletem a realidade do jovem da periferia. As duras rimas das 22 faixas mostram um Criolo em desenvolvimento, mas cheio de coisas a dizer, como a letra de No Sapatinho: "Eles querem que você desista, mas jamais se dê por vencido. E se eu vim pra cá é porque tenho uma missão. Talvez seja cantar rap ou cuidar do meu irmão".

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